
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (7) em que critica a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que debateu a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
No comunicado, o Palácio do Planalto afirma que é legítimo fazer oposição ao governo, mas considera inadequado recorrer a uma potência estrangeira para pressionar o Brasil. Segundo a nota, essa postura representaria uma atuação contrária aos interesses do país.
De acordo com o governo, 78 pessoas e entidades participaram da audiência. Deste total, 63 se manifestaram contra o chamado “tarifaço” e 15 defenderam as medidas. Entre os 34 brasileiros inscritos para falar, o Planalto afirma que Flávio Bolsonaro foi o único que não se posicionou contra a aplicação das tarifas, sugerindo apenas o adiamento da medida.
A nota também rebate declarações feitas pelo senador durante sua participação no evento. O governo sustenta que investigações citadas por Flávio tiveram origem em gestões anteriores e destaca que esquemas de descontos ilegais em benefícios do INSS foram identificados e combatidos na atual administração, com a devolução de recursos aos beneficiários.
Além disso, o Planalto afirma que o parlamentar defendeu a revogação de decretos voltados ao combate de conteúdos criminosos e à proteção de mulheres no ambiente digital, alegando que essa medida enfraqueceria ações de enfrentamento à criminalidade nas redes.
O posicionamento foi divulgado após a participação de Flávio Bolsonaro na audiência do USTR, realizada para discutir as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Até o momento, o senador não havia respondido à nova manifestação do governo federal.
Nota na íntegra:
Ao todo, 78 entidades e pessoas físicas se inscreveram para se manifestar sobre o tarifaço. Desse total (somando brasileiros e estadunidenses), 63 são contra o tarifaço, 15 são a favor. Das 44 intervenções de estadunidenses, 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro.
Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores de nosso país. O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil. Tampouco aproveitou a audiência de hoje para reconhecer que errou ao contrariar os interesses do povo brasileiro.
O senador defendeu a revogação de decretos brasileiros que previnem a circulação de conteúdos criminosos e enfrentam a violência contra mulheres no ambiente digital. Isso só interessa a dois grupos: quem lucra com o caos e quem precisa dele para cometer crimes.
Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de 130 milhões de reais para, segundo ele alega, produzir um filme sobre seu pai.
Assim como o caso Master, os descontos ilegais que prejudicaram milhões de aposentados e pensionistas do INSS também começaram no governo Bolsonaro. Foi no atual governo que o esquema foi desbaratado pela Controladoria Geral da União e a Polícia Federal e que 3,2 bilhões de reais que haviam sido desviados foram devolvidos para 4,2 milhões de beneficiários.


