
A manhã desta terça-feira, dia 7 de julho, transformou o tabuleiro político fluminense em um verdadeiro campo de batalha.
A deflagração da 6ª fase da Operação Unha e Carne pela Polícia Federal, que culminou na prisão em flagrante do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União Brasil), gerou um forte efeito cascata que reverberou imediatamente em Araruama, na Região dos Lagos.
O nome de Maria da Penha Bernardes – conhecida como Penha Bernardes -, pré-candidata à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), veio à tona nas discussões locais e de bastidores, arrastado pela estreita e explícita ligação política e institucional que ela mantém com o líder partidário detido.
A Conexão Detran e o Padrinho Político
Canella foi alvo de mandados de busca e apreensão expedidos no âmbito da investigação que apura um monumental esquema de lavagem de dinheiro de R$ 7,6 bilhões operado por meio de redes de postos de combustíveis no Rio.
Acabou preso em flagrante após os agentes federais encontrarem um fuzil calibre .556 escondido em seu carro.
A conexão de Penha Bernardes com Canella não é ideológica; ela é profundamente estrutural.
A Cadeira na Vice-Presidência
A indicação e a sustentação de Penha Bernardes para o cargo de vice-presidente do Detran-RJ — uma das autarquias mais cobiçadas do Estado — são de conhecimento público como cotas da forte influência que Márcio Canella, then deputado estadual mais votado do Rio, exercia junto ao governo estadual.
Aliança Eleitoral de 2026
Para as eleições deste ano, Penha vinha se desenhando como a principal aposta de Canella para cravar uma cadeira na Alerj representando a Região dos Lagos.
A prisão de seu principal esteio financeiro e político impõe uma crise severa de viabilidade em sua pré-campanha.
Investigações e Processo Administrativo em Andamento contra Penha
A turbulência que atinge a ex-vereadora de Araruama não decorre apenas das algemas do padrinho político: Penha Bernardes já lida com desgastes jurídicos e administrativos locais que ganharam tração com o episódio da PF.
Entre eles, o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por abandono de cargo na Educação.
No último mês de junho, a Prefeitura de Araruama publicou no Diário Oficial a instauração de um PAD contra Penha.
Servidora concursada sob a matrícula de Professora II, ela foi formalmente denunciada pela Secretaria Municipal de Educação por absenteísmo crônico (faltas injustificadas consecutivas por mais de 30 dias) desde abril deste ano. O procedimento, que pode culminar na sua demissão por abandono de cargo público, apura se ela recebia proventos sem a devida contraprestação de carga horária nas salas de aula municipais.
Além disso, está em andamento uma investigação de vantagens e nomeações cruzadas.
A ascensão de Penha a cargos no escalão do Governo do Estado — paralela ao seu distanciamento das funções de origem na municipalidade — é alvo de cruzamento de dados e representações de opositores que buscam apurar junto ao Ministério Público se houve favorecimento político e improbidade administrativa na manutenção de suas prerrogativas públicas.
Se antes o discurso de Penha Bernardes na Região dos Lagos se apoiava na “força e no prestígio” de seu trânsito com a cúpula do União Brasil e do bolsonarismo fluminense liderado por Canella, hoje o tom mudou radicalmente.
Interlocutores locais afirmam que a prioridade da pré-candidata agora é descolar sua imagem do fuzil apreendido pela PF e tentar estancar a sangria que o PAD da Educação impõe à sua imagem de servidora e defensora da moralidade pública.
Até o fechamento desta edição, a defesa de Márcio Canella não havia se pronunciado sobre a prisão em flagrante, e a assessoria de Penha Bernardes não emitiu nota oficial sobre o impacto das investigações da PF em sua nominata regional.


