
A Justiça do Rio de Janeiro autorizou a quebra de sigilo do telefone celular encontrado na cela do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, no Presídio Pedrolino Werling, localizado no Complexo de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste da capital.
A decisão foi assinada pela juíza Elizabeth Machado Louro após solicitação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo é analisar o conteúdo do aparelho para verificar se o detento manteve contato com terceiros de forma irregular ou tentou interferir em investigações e processos judiciais.
Condenado a 43 anos de prisão pelo homicídio qualificado e pela tortura do menino Henry Borel, Jairinho também responde a outras acusações. Segundo o Ministério Público, as informações armazenadas no celular poderão contribuir para o esclarecimento de outros procedimentos em andamento.
Na decisão, a magistrada autorizou a extração dos dados do aparelho e determinou que o telefone seja encaminhado à Divisão Especial de Inteligência Cibernética do Ministério Público para realização da perícia.
Assistente de acusação no caso Henry Borel, o vereador Leniel Borel afirmou que a investigação deve apurar não apenas o conteúdo do celular, mas também como o aparelho entrou na unidade prisional, há quanto tempo era utilizado e se houve tentativa de influenciar testemunhas ou interferir em processos judiciais.
A defesa de Jairinho informou que ainda não havia sido oficialmente comunicada sobre a decisão e declarou que só irá se manifestar após a intimação.
O celular foi localizado durante uma revista realizada por policiais penais, após informações da área de inteligência da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) indicarem que o preso estaria com um aparelho telefônico na cela. O dispositivo foi encontrado escondido entre livros.
Após a apreensão, Jairinho foi colocado em isolamento. A Corregedoria da Seap instaurou um procedimento para apurar tanto a posse irregular do celular quanto uma possível participação de servidores na entrada do equipamento na unidade prisional.
A ocorrência foi registrada na 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), enquanto as investigações seguem em andamento.

