
O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) que deixará de exercer funções administrativas na Faixa de Gaza, em uma decisão que abre espaço para a criação de um comitê tecnocrático responsável pela gestão civil do território.
Segundo o grupo, a medida tem como objetivo reduzir tensões e evitar novos ataques israelenses, além de facilitar o processo de reconstrução da região após anos de conflito.
Mudança no comando administrativo
O chefe do governo ligado ao Hamas, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo no mesmo dia do anúncio, de acordo com o diretor do escritório de mídia do grupo em Gaza, Ismail Thawabta. A informação foi divulgada durante coletiva de imprensa.
Com a decisão, a expectativa é de que apenas funcionários técnicos permaneçam em atividade para evitar um colapso administrativo, enquanto um novo comitê assume progressivamente as funções de governo.
O Hamas afirma que a iniciativa busca aliviar a crise humanitária, acelerar a reconstrução e reduzir restrições impostas ao território.
Governo de Gaza desde 2007
O grupo controla a Faixa de Gaza desde 2007, quando assumiu o poder após confrontos internos com o Fatah, partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que governa áreas da Cisjordânia.
Desde então, o território vive sob um cenário de bloqueios, conflitos armados e disputas políticas internas palestinas.
Comitê tecnocrático e apoio dos EUA
A transição prevê a formação de um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos e responsável pela gestão civil do território.
O chamado “Conselho de Paz”, liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o novo órgão deverá centralizar o controle de todas as armas em circulação na Faixa de Gaza.
Em comunicado divulgado nas redes sociais, o grupo ligado ao governo americano defendeu a criação de uma autoridade única no território, com controle institucional e desarmamento gradual.
Contexto do cessar-fogo
A mudança ocorre em meio às negociações da segunda fase do acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, mediado por países e organizações internacionais.
O plano prevê reconstrução da Faixa de Gaza, retirada progressiva de forças militares e criação de uma força internacional de estabilização. No entanto, pontos como o desarmamento do Hamas seguem como principais entraves nas negociações.
Reações e cenário no território
Especialistas avaliam que a decisão do Hamas tem caráter simbólico e não resolve questões centrais do conflito, especialmente relacionadas ao controle militar da região.
Enquanto isso, ataques continuam sendo registrados em diferentes áreas de Gaza, apesar do cessar-fogo formal em vigor desde outubro de 2025, segundo autoridades locais.
O cenário segue marcado por incertezas sobre quem assumirá de fato o controle político e de segurança do território nos próximos meses.

