Panorama

Justiça determina medidas protetivas para neta de Paulo Melo após denúncia de abuso sexual

Maria Clara e Paulo Melo
Foto: Reprodução

 

A Justiça do Rio de Janeiro concedeu medidas protetivas à jovem Maria Clara Almeida Melo de Sá, de 21 anos, que acusa o avô, o pré-candidato a deputado estadual Paulo Melo, e o pai de abusos sexuais. A decisão também impede que a mãe da jovem mantenha contato com ela.

Pela determinação do Juizado de Violência Doméstica e Familiar de Saquarema, os três deverão permanecer a pelo menos 250 metros de Maria Clara e estão proibidos de fazer qualquer contato, inclusive por telefone, redes sociais, aplicativos de mensagens ou por intermédio de terceiros. O descumprimento da ordem pode resultar em prisão.

As denúncias apontam que os abusos teriam começado quando Maria Clara tinha cinco anos. Segundo o relato apresentado às autoridades, o pai seria o primeiro autor das violências. Dois anos depois, ela afirma que também passou a ser abusada pelo avô durante visitas a uma fazenda da família, em Rio Bonito. A jovem ainda relata que, em 2022, ao se mudar para Saquarema para cursar a faculdade e morar com o avô, os abusos teriam voltado a acontecer.

O caso chegou ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em novembro de 2025, quando Maria Clara procurou a Ouvidoria da Mulher. Em vídeos publicados nas redes sociais, ela afirmou que decidiu denunciar os episódios após anos de tratamento psicológico.

Durante a análise do pedido, a Justiça determinou a realização de avaliação psicológica. Embora o laudo pericial não tenha concluído pela confirmação dos fatos, o documento apontou que os relatos da jovem não poderiam ser descartados. Outro parecer, elaborado pelo Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Saquarema, descreve que Maria Clara apresenta sintomas compatíveis com traumas, como crises de ansiedade, síndrome do pânico, privação de sono e estado permanente de alerta.

A Defensoria Pública informou ainda que a jovem relatou estar sendo monitorada no local onde está acolhida, mencionando a presença frequente de um carro com vidros escuros e tentativas de abordagem por pessoas desconhecidas.

Com base nesses elementos, o magistrado reviu uma decisão anterior que havia negado a proteção e concedeu as medidas protetivas por tempo indeterminado. O juiz ressaltou que a decisão tem caráter preventivo e não representa reconhecimento de culpa dos investigados, cujas apurações continuam em andamento.

A mãe, a avó materna e a irmã de Maria Clara contestam as acusações. Paulo Melo também nega os fatos e afirma que as denúncias têm motivação política. Procurado pela reportagem, ele informou que não comentará o caso por tramitar em segredo de Justiça.

Maria Clara declarou que confia na atuação da Justiça e disse que prefere não ampliar a exposição pública do caso por considerar que isso aumentaria os danos sofridos.

Informações: ODia

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