Panorama

Governo mantém Pix fora das negociações com os EUA em meio à ameaça de tarifa de 25%


Aplicativo bancário para pagamento pelo Pix. – Bruno Peres/Agência Brasil

 

O governo federal reafirmou que o sistema de pagamentos Pix não será incluído nas negociações com os Estados Unidos sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

As tratativas ocorrem em meio à investigação aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na chamada Seção 301, que analisa práticas comerciais de outros países. Entre os pontos avaliados estão tarifas de importação, acesso ao mercado de etanol, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e o funcionamento do Pix.

Na quinta-feira (2), o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Durante o encontro, o governo brasileiro apresentou um plano de ações voltado aos demais temas da investigação, mas deixou claro que o Pix não será objeto de negociação.

Como principal proposta, o Brasil sinalizou a possibilidade de reduzir tarifas de importação incidentes sobre cerca de 300 operações comerciais. A medida, porém, deverá beneficiar diversos países, e não apenas os Estados Unidos, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O pacote também inclui projetos em tramitação no Congresso Nacional e medidas administrativas em elaboração pelo governo.

Segundo integrantes da equipe econômica, novas reuniões entre representantes dos dois países estão previstas para os próximos dias. A expectativa é que haja um novo encontro entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer antes de 15 de julho, prazo em que o governo norte-americano deverá decidir sobre a adoção das novas tarifas.

Enquanto as negociações diplomáticas avançam, o tema também ganhou espaço no cenário político brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro após o parlamentar enviar uma carta às autoridades norte-americanas pedindo o adiamento da decisão sobre as tarifas para depois das eleições brasileiras.

Nas redes sociais, Lula afirmou que o Brasil “não está à venda”, classificou o pedido como uma atitude contrária aos interesses nacionais e reiterou que a soberania brasileira e o Pix são inegociáveis.

Flávio Bolsonaro respondeu às críticas, afirmando que o governo federal não conduziu as negociações de forma adequada e acusou Lula de utilizar o tema politicamente. O senador também voltou a responsabilizar o governo pela crise comercial com os Estados Unidos.

 

 

 

 

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