Panorama

Operação na Maré mira integrantes do TCP e resulta em prisões, apreensão de fuzis e plantação de maconha

Um dos presos na operação da Maré
Reginaldo Pimenta/Agência O DIA

 

Uma grande operação das polícias Civil e Militar mobilizou agentes no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na manhã desta quarta-feira (10). A ação tem como objetivo cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão contra integrantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP), investigados por envolvimento em diversos crimes.

Até o início da tarde, 20 suspeitos haviam sido presos. Durante a operação, os agentes também apreenderam fuzis, carregadores, rádios comunicadores, veículos e localizaram uma estufa clandestina utilizada para o cultivo de maconha na comunidade da Vila do João. No local, foram encontrados 128 pés da planta, além de equipamentos e insumos utilizados na produção da droga.

Segundo as investigações, os alvos da operação atuam em diferentes frentes criminosas, incluindo roubos de cargas, receptação de produtos furtados, comercialização de celulares roubados, violência doméstica, homicídios e crimes relacionados à exploração sexual infantil.

As apurações apontam que integrantes da facção promoviam ataques frequentes a caminhões que circulavam por importantes vias expressas da cidade, como Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. A Polícia Civil também identificou um esquema de lavagem de dinheiro ligado aos roubos e ao comércio ilegal de mercadorias.

Outra linha investigativa revelou que criminosos exerciam controle sobre serviços essenciais dentro das comunidades, como fornecimento de água, internet e venda de gás, impondo monopólios e regras à população local.

As investigações ainda apontaram que um baile funk realizado na Vila do João era utilizado como espaço para movimentação financeira da facção, venda de produtos ilícitos e fortalecimento da influência de lideranças criminosas na região. De acordo com os agentes, foram identificados registros de criminosos circulando armados durante os eventos.

Em outra frente de investigação, a polícia desarticulou uma estrutura organizada para roubo e receptação de celulares. Segundo os agentes, os criminosos agiam sob ordens diretas da facção e possuíam metas para arrecadação de aparelhos desbloqueados, que posteriormente eram revendidos no mercado ilegal.

A operação também cumpriu mandados relacionados a investigações sobre compartilhamento de material de abuso sexual infantil em grupos digitais. Conforme a Polícia Civil, foram identificados suspeitos que utilizavam aplicativos de mensagens para trocar conteúdos criminosos envolvendo crianças e adolescentes.

Além disso, uma das ações teve como foco um investigado por violência doméstica na comunidade da Baixa do Sapateiro. Durante o acompanhamento do caso, surgiram informações sobre posse irregular de armas e possíveis conexões com outras atividades criminosas.

A operação contou com a participação de equipes especializadas da Polícia Civil, incluindo a Core, além de policiais militares do Bope, Batalhão de Choque e outras unidades operacionais.

Os confrontos registrados durante a ação provocaram reflexos na rotina da região. Passageiros do BRT chegaram a se abrigar no chão da estação Fiocruz durante momentos de intenso tiroteio. Na área da educação, 42 escolas tiveram suas atividades impactadas. Unidades de saúde também sofreram alterações no funcionamento, enquanto instituições como Fiocruz e UFRJ monitoraram a situação e adotaram medidas preventivas para garantir a segurança de estudantes e trabalhadores.

As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento das atividades criminosas ligadas à facção que atua no Complexo da Maré.

 

 

 

 

 

Informações ODia.

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