
A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, a política migratória dos Estados Unidos voltou ao centro das discussões internacionais. A Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou preocupação com as recentes restrições de entrada no país e pediu que as autoridades norte-americanas revejam procedimentos que possam impactar a participação de profissionais e visitantes ligados ao torneio.
O alerta foi feito pelo alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que defendeu uma análise mais ampla sobre os efeitos das medidas migratórias na garantia dos direitos e da dignidade das pessoas que estarão envolvidas no Mundial. A preocupação abrange atletas, árbitros, integrantes de delegações, jornalistas e torcedores de diferentes nacionalidades.
A discussão ganhou força após episódios recentes envolvendo profissionais credenciados para a competição. Um dos casos mais repercutidos foi o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, impedido de entrar nos Estados Unidos mesmo possuindo visto válido. A situação gerou questionamentos sobre possíveis obstáculos enfrentados por participantes oficiais do evento.
Outro episódio que chamou atenção envolveu o atacante iraquiano Aymen Hussein. O jogador foi submetido a horas de interrogatório em um aeroporto norte-americano antes de ser liberado. Já o fotógrafo oficial da seleção do Iraque teve a entrada negada após permanecer por cerca de dez horas em procedimentos de imigração.
Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos afirmam que o endurecimento das regras migratórias pode criar dificuldades para profissionais da imprensa, trabalhadores temporários e torcedores que pretendem acompanhar a competição. Segundo essas organizações, a realização de um evento global exige mecanismos que garantam acessibilidade e segurança jurídica para visitantes estrangeiros.
Diante desse cenário, a ONU reforçou a necessidade de que os Estados Unidos adotem procedimentos compatíveis com os compromissos internacionais assumidos pelo país, especialmente durante um dos maiores eventos esportivos do planeta.
Até o momento, a Fifa acompanha o tema sem se posicionar diretamente sobre os casos relatados. A entidade máxima do futebol informou apenas que respeita a legislação migratória vigente em cada país-sede de suas competições.
Com jogos distribuídos entre Estados Unidos, México e Canadá, a Copa do Mundo de 2026 será a maior da história, reunindo 48 seleções e milhares de profissionais e torcedores de diversas partes do mundo.


