
Divulgação / PT
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta aberta direcionada ao público evangélico em que defende programas sociais, propostas do governo federal e faz críticas ao uso da religião como ferramenta de manipulação política. O documento foi apresentado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília.
No texto, o partido afirma que os evangélicos brasileiros não podem ser tratados como um grupo político único e destaca que a carta não pretende falar em nome de todas as igrejas e denominações religiosas. Os participantes do encontro também manifestam preocupação com o que classificam como tentativas de instrumentalizar a fé para fins eleitorais.
A carta utiliza diversas referências bíblicas para sustentar os temas abordados. Passagens dos livros de Isaías, Tiago, Mateus, Efésios e Pedro são citadas ao longo do documento para tratar de questões relacionadas à justiça social, combate à pobreza, solidariedade e defesa dos direitos da população mais vulnerável.
Entre as pautas defendidas estão a ampliação de programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular, além do apoio a propostas atualmente debatidas pelo governo federal, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e o fim da escala de trabalho 6×1.
O texto também destaca a necessidade de fortalecer a agricultura familiar, a reforma agrária, políticas de geração de emprego para os jovens, ações voltadas à saúde da mulher e medidas que ampliem o acesso da população negra aos direitos e serviços públicos. Questões ambientais também aparecem na carta, com defesa da preservação das florestas, das águas e da biodiversidade.
A iniciativa faz parte da estratégia do PT de ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, segmento que representa cerca de 26,9% da população brasileira, segundo o Censo de 2022. Pesquisas recentes indicam que o partido enfrenta dificuldades para conquistar apoio majoritário nesse grupo.
O encontro ocorreu em meio à repercussão da troca de críticas entre a primeira-dama Janja da Silva e o pastor Silas Malafaia. Nos últimos dias, Janja rebateu declarações do líder religioso sobre reuniões realizadas com mulheres evangélicas e afirmou que todas as mulheres merecem ser ouvidas e respeitadas, independentemente do número de participantes dos encontros.
Durante o evento, a primeira-dama também reconheceu que o partido se afastou de parte das comunidades evangélicas ao longo dos anos e defendeu a retomada do diálogo com esse público.
A divulgação da carta acontece poucos dias após a realização da Marcha para Jesus, em São Paulo, que contou com a presença de lideranças religiosas e representantes políticos ligados à direita. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do evento e foi representado pelo ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. Segundo o próprio presidente, a ausência teve como objetivo evitar que sua participação fosse interpretada como uma tentativa de obter ganhos políticos em um evento religioso.



