
O número de mulheres que denunciaram o ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira, de 71 anos, por supostos abusos sexuais durante consultas médicas em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, aumentou para sete. As novas denúncias foram registradas após a divulgação do caso em reportagem exibida pela TV Globo.
Segundo a Polícia Civil, duas mulheres procuraram a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) para relatar experiências semelhantes às já apresentadas por outras pacientes. O médico é investigado por suspeita de violação sexual mediante fraude.
Uma das denunciantes, de 35 anos, afirmou que era paciente do profissional havia mais de cinco anos e buscou atendimento em julho de 2022 devido a dores causadas pela endometriose. De acordo com seu relato, a consulta ocorreu sem a presença de uma assistente, situação que considerou incomum em comparação aos atendimentos anteriores.
A mulher relatou ainda que, durante o exame, o médico realizou toques que ela considerou incompatíveis com os procedimentos ginecológicos realizados. Na época, ela não formalizou denúncia por confiar no profissional, que também atendia outros membros de sua família.
O caso voltou à memória da paciente após ela assistir a uma reportagem que apresentava relatos semelhantes de outras mulheres. Ao identificar pontos em comum entre as denúncias, decidiu procurar a polícia para registrar ocorrência.
Outra vítima também prestou depoimento no mesmo dia. Conforme informado pela investigação, os relatos apresentam características semelhantes e descrevem condutas consideradas inadequadas para o ambiente médico.
Apesar das acusações, Carlos Alfredo Mendes de Oliveira responde às investigações em liberdade. Por decisão judicial, ele está impedido de exercer a medicina enquanto o caso é apurado.
Entretanto, uma apuração jornalística constatou que o telefone utilizado para agendamento de consultas continua ativo e que o nome do médico ainda aparece na relação de profissionais de um prédio onde ele costumava atender em São João de Meriti. Segundo informações obtidas no local, ele continuaria realizando atendimentos.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que o processo tramita sob sigilo, mas garantiu que irá verificar possíveis descumprimentos da determinação judicial que suspendeu o exercício profissional do médico.
A delegada responsável pelas investigações reforçou o pedido para que outras possíveis vítimas procurem as autoridades e registrem ocorrência. A expectativa é que novos depoimentos possam contribuir para o avanço das investigações.
Até o momento, o médico não se pronunciou sobre as acusações.



