
A mulher presa durante uma operação da Polícia Civil que investiga fraudes envolvendo obras de arte e negociações imobiliárias de alto valor exercia função na Secretaria da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo governo estadual após a deflagração da Operação Tela Falsa, nesta quarta-feira (3).
Identificada como Michele Coelho Montenegro, conhecida também como Mia Montenegro, a investigada atuava havia cerca de um ano no projeto Palácio Verde, iniciativa voltada para educação ambiental e economia circular desenvolvida nos palácios Guanabara e Laranjeiras. Segundo o governo, ela recebia remuneração líquida próxima de R$ 12 mil e tinha direito ao uso de veículo oficial.
Após a prisão, a servidora foi exonerada do cargo. A dispensa foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado.
A investigação é conduzida pela Delegacia de Defraudações (DDEF) e apura um esquema que teria causado prejuízos milionários a um comerciante do setor de antiguidades. De acordo com a Polícia Civil, os danos já identificados ultrapassam R$ 2 milhões, mas podem chegar a R$ 10 milhões.
Conforme as apurações, Michele se apresentava como advogada e empresária de alto poder aquisitivo para conquistar a confiança das vítimas. No entanto, a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) informou que não encontrou registro profissional ativo em seu nome.
Segundo os investigadores, a acusada recebeu obras de arte de elevado valor para intermediar negociações, mas passou a comercializá-las como se fossem de sua propriedade. Entre as peças envolvidas estão trabalhos atribuídos a artistas renomados do cenário brasileiro.
A Polícia Civil também aponta que a suspeita utilizava cheques sem fundos e comprovantes bancários falsificados para simular pagamentos e dar aparência de legalidade às transações.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão e recuperaram uma das obras desaparecidas. O quadro foi encontrado na residência de um advogado, que acabou preso em flagrante por suspeita de receptação.
Além das fraudes envolvendo obras de arte, a investigação revelou uma negociação imobiliária considerada irregular. De acordo com o Ministério Público, uma das vítimas chegou a desembolsar R$ 120 mil para a intermediação da compra de um imóvel em Copacabana. A venda, entretanto, nunca foi concluída.
Michele Montenegro possui um histórico de processos por estelionato na Justiça do Rio de Janeiro e já foi condenada anteriormente pelo mesmo tipo de crime, tendo cumprido pena em regime semiaberto.
A defesa da investigada não se pronunciou sobre as acusações. Já a defesa do advogado preso informou que pretende apresentar esclarecimentos durante o andamento do processo.
O Governo do Estado afirmou que a nomeação de Michele ocorreu na gestão anterior e confirmou que o veículo oficial utilizado por ela foi devolvido após sua exoneração. A OAB-RJ declarou ainda que poderá instaurar procedimento ético-disciplinar caso seja comprovado o envolvimento de advogados no esquema investigado.



