Panorama

Operação prende suspeitos de participação em ‘tribunal do tráfico’ que torturou mulheres em São Gonçalo

Operação em comunidade de São Gonçalo na manhã desta terça-feira (2) — Foto: Reprodução

 

Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta terça-feira (2) resultou na prisão de três suspeitos ligados ao Comando Vermelho investigados por envolvimento em uma sessão de tortura contra duas mulheres na comunidade do Risca-Faca, em Maria Paula, São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

Além das acusações relacionadas às agressões, os investigados também são apontados como integrantes de uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de armas e controle armado do território.

A ação foi conduzida por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que cumpriam mandados de busca e apreensão na comunidade. Os três suspeitos acabaram presos em flagrante durante a operação.

Segundo as investigações, as vítimas foram submetidas a um chamado “tribunal do tráfico”, prática utilizada por facções criminosas para impor punições e reforçar o domínio sobre áreas controladas pelo grupo. As mulheres teriam sido acusadas de praticar delitos dentro da comunidade e, como forma de punição, foram espancadas, tiveram os cabelos raspados e foram obrigadas a percorrer as ruas do local pedindo desculpas publicamente.

Vídeos da ação criminosa foram divulgados pelos próprios traficantes nas redes sociais. Para os investigadores, a exposição das imagens teve como objetivo intimidar moradores e demonstrar o poder da facção na região.

A Polícia Civil aponta que a ordem para a tortura partiu de lideranças do Comando Vermelho. Um dos suspeitos apontados como mandante cumpre pena no Complexo de Gericinó, enquanto outro seria um dos chefes da facção em liberdade e estaria escondido em uma comunidade da Zona Norte do Rio.

O crime ocorreu no dia 18 de maio e, após as agressões, as vítimas foram expulsas da comunidade. Durante a operação desta terça-feira, os agentes apreenderam materiais que podem auxiliar no avanço das investigações, incluindo a máquina utilizada para raspar os cabelos das mulheres.

A polícia informou que as diligências continuam para identificar e responsabilizar todos os envolvidos na ação criminosa.

 

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