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A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (2), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas do Comando Vermelho (CV). Batizada de Operação Riqueza Sombria, a ação cumpre mandados em quatro estados e busca desarticular uma rede que teria movimentado mais de R$ 116 milhões por meio de contas bancárias de pessoas físicas e empresas de fachada.
As investigações apontam que o grupo atuava em diferentes regiões do país, com ramificações no Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão. Durante a operação, duas pessoas foram presas, além da apreensão de uma arma, celulares e outros equipamentos eletrônicos.
No Rio de Janeiro, os agentes concentraram as diligências em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e no bairro do Jacaré, na Zona Norte da capital. Também houve ações em cidades localizadas próximas à fronteira com o Paraguai, considerada estratégica para as rotas do tráfico internacional de drogas e armas.
Segundo a investigação, o esquema utilizava a técnica conhecida como smurfing, caracterizada pela realização de diversos depósitos em pequenas quantias para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras pelos órgãos de controle. Os recursos obtidos com a venda de drogas eram distribuídos em várias contas de supostos laranjas e posteriormente reinseridos no sistema financeiro formal.
A apuração teve início após uma operação realizada em 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Documentos bancários apreendidos na ocasião levaram os investigadores a identificar um padrão de movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos suspeitos.
De acordo com o Ministério Público, parte significativa dos valores circulava por contas localizadas em Sete Quedas, município de Mato Grosso do Sul que faz fronteira direta com o Paraguai. Relatórios de inteligência financeira indicaram movimentações milionárias atribuídas a pessoas sem capacidade econômica compatível com os valores registrados.
A força-tarefa reúne policiais civis de diferentes estados, com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O objetivo é identificar todos os integrantes da estrutura financeira da facção, aprofundar a investigação patrimonial e responsabilizar criminalmente os envolvidos.



