
O governo brasileiro acompanha com preocupação a reta final de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado. Segundo interlocutores envolvidos nas negociações entre os dois países, o resultado da apuração deve ser divulgado até esta quarta-feira (3) e pode resultar em novas sanções comerciais contra o Brasil.
A investigação é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo norte-americano para analisar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. O processo foi aberto em março e ocorre paralelamente às apurações que deram origem à proposta de sobretaxação de produtos brasileiros.
De acordo com autoridades americanas, o objetivo é avaliar se países adotam medidas suficientes para combater o uso de trabalho forçado em cadeias produtivas ligadas ao comércio internacional. Além do Brasil, outros 59 países estão na mira da investigação, incluindo China, Argentina, Reino Unido, Japão e membros da União Europeia.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro afirmam ter sido informados de que a divulgação do relatório final é iminente. A expectativa é de que as conclusões sejam apresentadas entre esta terça-feira (2) e quarta-feira (3), com a possibilidade de medidas adicionais por parte da administração do presidente Donald Trump.
A iniciativa ganhou força após decisões judiciais nos Estados Unidos limitarem a aplicação de algumas tarifas comerciais impostas pelo governo americano nos últimos anos. Desde então, Washington tem ampliado o uso de outros instrumentos de pressão comercial para questionar práticas adotadas por parceiros internacionais.
O possível anúncio de novas sanções ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a proposta americana de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida que ainda está em fase de consulta pública.



