
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio de ajuda humanitária à Bolívia após uma conversa por telefone com o presidente boliviano Rodrigo Paz. O país enfrenta uma grave crise política e social, marcada por manifestações, bloqueios de estradas e falta de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões.
Os protestos já duram quase um mês e têm mobilizado sindicatos, movimentos sociais, organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales. Parte dos manifestantes acusa o atual governo de não cumprir promessas de campanha e pede a renúncia de Rodrigo Paz.
Em comunicado oficial, Lula afirmou que o Brasil está solidário ao povo boliviano e reforçou a importância do respeito às instituições democráticas. O presidente brasileiro também defendeu que governo e movimentos sociais busquem o diálogo para evitar o agravamento da crise e mais episódios de violência.
A situação na Bolívia se agravou após o governo anunciar medidas econômicas e propostas de reformas que geraram forte reação popular. Um dos principais pontos de tensão foi a proposta de reforma agrária apresentada por Rodrigo Paz, que permitiria a transformação de pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte.
Segundo o governo boliviano, a ideia era facilitar o acesso de pequenos produtores a crédito e incentivar investimentos no setor agrícola. No entanto, movimentos camponeses interpretaram a medida como uma abertura para beneficiar grandes proprietários de terra. Após a repercussão negativa e o aumento dos protestos, o presidente voltou atrás e revogou a proposta.
Além da questão agrária, professores também iniciaram manifestações exigindo reajustes salariais em meio ao aumento do custo de vida. A Bolívia encerrou 2025 com uma inflação de cerca de 20%, uma das maiores dos últimos anos, o que ampliou o descontentamento popular.
Outro fator que aumentou a revolta foi a crise no abastecimento de combustíveis. Após mudanças na política de subsídios do governo, consumidores passaram a reclamar dos preços e também da qualidade da gasolina vendida no país. Uma análise técnica realizada pela Universidade Superior de San Andrés apontou problemas nos combustíveis comercializados.
Os bloqueios de estradas feitos por manifestantes paralisaram importantes vias do país e dificultaram o transporte de produtos essenciais. Em algumas cidades bolivianas já há registros de escassez de alimentos, medicamentos e combustível, além da suspensão de serviços públicos por falta de abastecimento.
A crise também ganhou um novo capítulo após Rodrigo Paz anunciar a criação de uma comissão para discutir uma reforma parcial da Constituição boliviana. O governo afirma que a proposta busca facilitar investimentos e impulsionar a economia, mas opositores alegam que as mudanças podem enfraquecer o papel do Estado sobre recursos naturais estratégicos.
Enquanto a tensão cresce nas ruas, países como Brasil, Estados Unidos e Argentina anunciaram apoio humanitário à Bolívia. Os EUA chegaram a classificar o cenário como uma “crise humanitária”, enquanto a Argentina enviou uma aeronave militar para auxiliar no transporte de alimentos.



