
Mesmo após a derrota histórica sofrida no Senado Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende insistir na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo aliados do governo, o chefe do Executivo avalia reenviar o nome do atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) antes das eleições deste ano.
No último dia 29 de abril, o Senado rejeitou a indicação de Messias por 42 votos a 34, em um resultado considerado inédito e um duro revés político para o Palácio do Planalto. A derrota também abalou a relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado nos bastidores como um dos articuladores da rejeição.
Apesar disso, interlocutores afirmam que Lula continua disposto a defender o nome de Jorge Messias para ocupar a vaga aberta no STF desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025.
Nos bastidores, integrantes do governo apontam que um dos fatores que motivaram Lula a reconsiderar a nova indicação foi a recepção dada a Messias durante a posse do ministro Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última semana. O advogado-geral da União foi bastante aplaudido durante a cerimônia, gesto interpretado pelo presidente como um reconhecimento público ao trabalho do ministro.
Segundo aliados, Jorge Messias, porém, adota cautela sobre a possibilidade de uma nova indicação. O ministro teria dito a pessoas próximas que só aceitaria enfrentar novamente a sabatina no Senado caso houvesse segurança de aprovação, especialmente após a rejeição inédita sofrida neste ano.
Após a derrota, Messias recebeu manifestações de apoio de juristas, integrantes do governo e líderes evangélicos, que atribuíram o resultado a disputas políticas e eleitorais dentro do Senado, e não à capacidade técnica do ministro.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares da oposição chegaram a discutir estratégias para barrar futuras indicações de Lula ao Supremo até o período eleitoral. A rejeição de um indicado ao STF pelo Senado não acontecia há 132 anos, desde 1894.
Outra possibilidade cogitada internamente no governo seria a ida de Jorge Messias para o Ministério da Justiça. No entanto, segundo interlocutores, a hipótese perdeu força, principalmente pela proximidade do fim do mandato presidencial e pelas mudanças previstas na área de segurança pública.



