Panorama

PF aponta suposta mesada de até R$ 500 mil a Ciro Nogueira em investigação contra dono do Banco Master

Ciro Nogueira é senador pelo Piauí e ex-ministro da Casa Civil – Divulgação

A Polícia Federal apontou que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em um esquema investigado na quinta fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, os valores começaram em R$ 300 mil e poderiam ter chegado a R$ 500 mil por mês.

As informações constam na decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou mandados de busca e apreensão contra o parlamentar nesta quinta-feira (7). A PF afirma que o senador teria utilizado o mandato para favorecer interesses do banqueiro no Congresso Nacional.

De acordo com os investigadores, Vorcaro também teria disponibilizado gratuitamente ao senador um imóvel de alto padrão, além de bancar hospedagens, viagens internacionais, deslocamentos e despesas em restaurantes de luxo. Entre os gastos citados estão estadias no hotel Park Hyatt, em Nova York, além da utilização de cartão para despesas pessoais.

A investigação ainda aponta suspeitas em uma operação societária envolvendo a compra de participação em uma empresa avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão. Segundo a PF, a negociação teria beneficiado uma empresa administrada formalmente pelo irmão de Ciro Nogueira, Raimundo Nogueira, que também foi alvo de buscas.

Os investigadores afirmam ter encontrado no celular de Daniel Vorcaro mensagens que indicariam influência direta do banqueiro na elaboração de propostas legislativas apresentadas pelo senador. Um dos episódios envolve uma emenda à PEC da autonomia financeira do Banco Central, apresentada em agosto de 2024, que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo a PF, o texto apresentado pelo senador coincidia integralmente com uma minuta preparada pela assessoria do Banco Master. Em mensagens encontradas pelos investigadores, Vorcaro afirmou que a proposta “saiu exatamente como mandei” e classificou a medida como uma “bomba atômica no mercado financeiro”.

A Polícia Federal também encontrou conversas que tratariam do pagamento da suposta mesada. Em um dos diálogos, um interlocutor pergunta se os repasses ao “Ciro” continuariam em R$ 500 mil ou retornariam para R$ 300 mil.

Em nota, a defesa de Ciro Nogueira negou qualquer irregularidade e afirmou que o parlamentar não participou de atos ilegais. Os advogados criticaram as medidas cautelares adotadas com base em mensagens trocadas por terceiros e disseram que o senador está à disposição para prestar esclarecimentos.

Ciro Nogueira é senador pelo Piauí e ex-ministro da Casa Civil – Divulgação

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