
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou denúncia contra o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins, de 78 anos, pelos crimes de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes.
Segundo o documento encaminhado à Justiça na última terça-feira (6), as condutas criminosas teriam ocorrido de forma reiterada entre os anos de 2020 e 2025, concentrando-se no bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio. O acusado já se encontra sob custódia desde março deste ano.
A investigação conduzida pela promotoria aponta que ao menos três vítimas, com idades variando entre 10 e 17 anos, já foram oficialmente identificadas. O método de aproximação utilizado pelo professor envolvia a exploração da vulnerabilidade socioeconômica das vítimas e de seus familiares. Valendo-se de sua posição de prestígio como acadêmico e advogado, Cordovil estabelecia contato com as famílias e passava a aliciar os menores mediante a oferta de dinheiro, alimentos, presentes e outras facilidades.
De acordo com o relato do MPRJ, os abusos eram perpetrados no interior da residência do denunciado após ele conquistar a confiança dos jovens. Além das agressões sexuais, o professor é acusado de registrar as cenas em fotografias e vídeos, configurando a produção de material pornográfico infantil.
A gravidade do caso é reforçada pela perícia realizada no telefone celular do advogado, onde as autoridades encontraram um acervo superior a 8 mil arquivos de conteúdo sexual envolvendo menores, o que sugere a existência de outras vítimas ainda não identificadas e o possível compartilhamento desse material.
Em razão da extensão dos danos causados, o Ministério Público solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada no processo. Paralelamente, os promotores pediram a conversão da prisão temporária de Cordovil em prisão preventiva, sustentando que a medida é necessária devido à periculosidade do agente e para garantir a integridade das investigações em curso. O caso está sob análise da 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital, enquanto diligências separadas tentam localizar novos possíveis afetados pela conduta do docente.



