
Uma ofensiva da Polícia Civil do Rio de Janeiro colocou no centro das investigações o rapper Oruam e pessoas próximas a ele, no contexto de um inquérito que apura a sustentação financeira da facção Comando Vermelho. A ação foi realizada nesta quarta-feira (29) por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e teve como foco desarticular mecanismos de circulação de dinheiro ligados ao tráfico de drogas.
Os investigadores apontam que há mandados de prisão contra o artista, a mãe dele e o irmão. As diligências se concentraram na Zona Oeste do Rio, com equipes mobilizadas em endereços associados aos alvos para cumprimento de ordens judiciais e coleta de provas.
No decorrer da operação, um homem identificado Carlos Alexandre Martins, peça-chave na engrenagem financeira do grupo foi preso. Segundo a polícia, ele atuaria na administração e redistribuição de valores provenientes de atividades ilícitas, operando de forma a dificultar o rastreamento do dinheiro.
As apurações indicam a existência de um sistema organizado para gerir recursos do tráfico, com uso de terceiros e movimentações fracionadas para inserir quantias no circuito formal sem levantar suspeitas. Também foram identificados indícios de patrimônio e transações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos, o que reforça a suspeita de lavagem de dinheiro.
A investigação, que se estende há meses, foi construída a partir da análise de dados financeiros, registros telemáticos e materiais obtidos em apreensões anteriores. Esse cruzamento permitiu aos agentes mapear parte da estrutura responsável por manter o fluxo de capital da organização.
O nome de Marcinho VP, apontado como uma das principais lideranças históricas da facção, também aparece no contexto investigativo. Para a polícia, mesmo preso há anos, ele ainda exerce influência sobre decisões estratégicas do grupo.
A operação integra uma estratégia mais ampla do governo estadual para enfraquecer o funcionamento do Comando Vermelho, mirando não apenas a atuação direta no tráfico, mas também os bastidores financeiros que sustentam a organização. As investigações continuam e novas fases não estão descartadas.


