Panorama

Grávida morta no Rio discutiu com suspeito um dia antes do crime, aponta Ministério Público

Thaysa Campos estava grávida de oito meses quando foi assassinada, em 2020 — Foto: ReproduçãoThaysa Campos estava grávida de oito meses quando foi assassinada, em 2020 — Foto: Reprodução

O assassinato da manicure Thaysa Campos dos Santos, de 23 anos, que estava grávida de oito meses, ganhou novos elementos após um aditamento apresentado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o documento, a jovem teve uma discussão com o principal suspeito do crime um dia antes de desaparecer. O corpo foi encontrado dias depois, sem o bebê que ela carregava no ventre.

Segundo a denúncia, o comerciante Washington Franklin Souza da Silva, apontado pela própria vítima como pai da criança, teria se desentendido com Thaysa após ela flagrá-lo com outra mulher. O caso teria ocorrido em 3 de setembro de 2020, quando, durante a discussão, a manicure chegou a arranhar um carro em que o suspeito estava.

Thaysa foi vista com vida pela última vez na noite do dia seguinte, 4 de setembro, ao sair da casa de uma amiga carregando uma bolsa de gestante. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela é levada por um homem até uma área próxima a uma linha férrea. No dia 10 daquele mês, o corpo da jovem foi localizado no local indicado pelas investigações.

Uma perícia antropométrica realizada pela Divisão de Evidências Digitais do Ministério Público comparou as imagens captadas com registros do suspeito feitos quando ele prestou depoimento na Delegacia de Homicídios da Capital. O resultado apontou compatibilidade, indicando que a mesma pessoa aparece nas duas gravações.

A mãe da vítima afirma não ter dúvidas sobre a autoria e acredita que a motivação do crime esteja ligada à gravidez da filha. Thaysa já se preparava para a chegada da bebê, que se chamaria Ysabella. O enxoval estava pronto, e a jovem havia organizado itens como roupas, toalhas bordadas e até a caderneta da criança.

O promotor responsável pelo caso aponta ainda a possibilidade de que o bebê tenha sido retirado do ventre da gestante, hipótese que segue sob investigação. A linha investigativa também considera a participação de outras pessoas, já que laudos periciais indicam que o corpo pode ter sido levado até o local onde foi encontrado.

O comerciante foi denunciado pelos crimes de feminicídio, aborto e ocultação de cadáver. Apesar disso, responde ao processo em liberdade e nega qualquer envolvimento. Em depoimento, afirmou que estava com vizinhos no período em que a vítima desapareceu.

A defesa contesta a acusação e questiona a validade da perícia, alegando que a análise se baseia em imagens de baixa qualidade e sem identificação facial clara. Os advogados também sustentam que não há provas técnicas definitivas que confirmem a participação do acusado no crime.

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