Panorama

Relatório da CPI do Crime aponta ligação entre facções e sistema financeiro

CPI do Crime Organizado (CPICRIME) realiza reunião para ouvir dois convidados. Os depoimentos colaboram com as investigações em andamento sobre o avanço do crime organizado no país. A finalidade da comissão é apurar a atuação, expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação atualmente em vigor. 

Mesa: 
relator da CPICRIME, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). 

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Documento destaca lavagem de dinheiro, uso de redes sociais e falhas no controle de armas. Geraldo Magela/Agência Senado

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado no Senado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo senador Alessandro Vieira, revela conexões entre facções criminosas, milícias e o sistema financeiro no Brasil.

Com cerca de 220 páginas, o documento aponta que organizações criminosas têm utilizado tanto o mercado informal quanto o sistema financeiro formal, incluindo bancos, fundos de investimento e criptomoedas — para lavar dinheiro oriundo de atividades ilegais, como tráfico de drogas e armas.

Um dos casos citados é o do Banco Master, apontado como exemplo de como estruturas legais podem ser utilizadas para ocultar recursos ilícitos. Segundo o relatório, facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) já operam com alto grau de sofisticação, atuando em conjunto com agentes do mercado financeiro.

O texto também destaca a infiltração do crime organizado em setores como combustíveis, ouro, tabaco, mercado imobiliário e bebidas, além do uso crescente de fintechs e ativos digitais.

Controle de armas e redes sociais

Outro ponto abordado é a necessidade de reforçar a fiscalização de armas e munições. O relatório indica que falhas na legislação e na fiscalização podem facilitar o desvio de armamentos para o crime organizado.

Além disso, a CPI aponta o papel das redes sociais no aliciamento, especialmente de crianças e adolescentes. Plataformas como Facebook e Instagram são citadas como ambientes onde ocorre recrutamento e exploração, muitas vezes sem resposta eficaz das empresas responsáveis.

Dados da SaferNet Brasil indicam aumento significativo nas denúncias de crimes cibernéticos envolvendo abuso infantil.

Sistema prisional e segurança pública

O relatório também chama atenção para o déficit de mais de 200 mil vagas no sistema prisional brasileiro, apontado como um fator que fortalece as facções, que utilizam presídios como centros de comando.

Além disso, destaca a falta de efetivo nas forças de segurança, incluindo a Polícia Federal, que opera com déficit de cerca de 40% no quadro funcional.

Indiciamentos e intervenção no RJ

Entre as recomendações, o relator propõe o indiciamento de autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, além de sugerir uma possível intervenção federal no estado do Rio de Janeiro, alegando comprometimento da capacidade local de enfrentar o crime organizado.

O relatório ainda será analisado pelos integrantes da CPI e pode sofrer alterações antes de sua aprovação final.

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