Panorama

IBGE aponta cenário preocupante para saúde mental de adolescentes no Brasil

Foto: Getty Images

Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística acendeu um alerta sobre a saúde mental de jovens brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), apresentados nesta quarta-feira (25), mostram que uma parcela significativa de estudantes entre 13 e 17 anos enfrenta sofrimento emocional frequente.

De acordo com o estudo, que ouviu mais de 118 mil alunos de escolas públicas e privadas em todo o país, cerca de três em cada dez adolescentes afirmam se sentir tristes na maior parte do tempo. Um percentual semelhante relatou já ter pensado em se machucar de forma intencional.

O levantamento também revela outros sinais de alerta: 42,9% dos estudantes disseram se sentir constantemente irritados ou nervosos, enquanto 18,5% relataram que frequentemente pensam que a vida não vale a pena. Além disso, mais de um quarto dos entrevistados afirmou sentir que não recebe atenção ou cuidado de outras pessoas.

Falta de apoio nas escolas

Apesar dos números elevados, o acesso a suporte psicológico ainda é limitado no ambiente escolar. Menos da metade dos estudantes frequenta instituições que oferecem algum tipo de acompanhamento emocional. A diferença entre redes também chama atenção: o atendimento é mais presente em escolas particulares do que nas públicas.

A presença de profissionais especializados é ainda mais restrita, alcançando pouco mais de um terço dos alunos.

Meninas são mais afetadas

Os dados indicam uma diferença importante entre os gêneros. Em todos os indicadores analisados, as meninas apresentam índices mais altos de sofrimento emocional, incluindo tristeza frequente, pensamentos de autoagressão e insatisfação com a própria imagem.

A pesquisa também aponta queda na satisfação corporal entre os jovens em comparação com edições anteriores, sendo o impacto mais significativo entre alunas.

Casos de autoagressão e violência

O estudo estima que cerca de 100 mil estudantes tenham sofrido lesões autoprovocadas no período analisado. Entre esse grupo, os indicadores de sofrimento emocional são ainda mais elevados, com destaque para altos níveis de tristeza, irritação e sensação de falta de sentido na vida.

Outro dado preocupante envolve o ambiente familiar: uma parcela dos adolescentes relatou não se sentir compreendida em casa, e cerca de 20% disseram já ter sofrido agressão física por responsáveis no último ano.

Onde buscar ajuda

Especialistas reforçam a importância de procurar apoio diante de sinais de sofrimento emocional. Conversar com familiares, amigos ou educadores pode ser um primeiro passo, além de buscar atendimento em serviços de saúde.

Entre as opções disponíveis estão unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial e serviços de emergência. O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio gratuito e sigiloso pelo telefone 188, além de atendimento online 24 horas.

Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental de adolescentes, com atenção especial às diferenças de gênero e ao fortalecimento de redes de apoio dentro e fora das escolas.

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