Oficial foi indiciado após perícia apontar inconsistências e indícios de alteração da cena

A Polícia Civil do Estado de São Paulo prendeu, nesta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita e, posteriormente, como feminicídio, após a identificação de contradições no depoimento do oficial e inconsistências apontadas pela perícia.
A prisão foi realizada em um apartamento no bairro Jardim Paulista. O militar, que estava de licença desde o início de março, deve ser encaminhado para o 8º Distrito Policial, onde será interrogado.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a investigação encontrou divergências relevantes na versão apresentada pelo suspeito, além de comportamentos considerados incompatíveis após o disparo. Laudos da perícia indicaram que a hipótese de suicídio é improvável e apontaram indícios de alteração da cena do crime.
Laudo da Perícia
O laudo necroscópico, realizado após a exumação do corpo, identificou lesões no rosto e no pescoço da vítima. Peritos indicam que ela pode ter sido imobilizada ou desmaiado antes de ser baleada, sem apresentar sinais de defesa.
Familiares relataram que o relacionamento era conturbado e marcado por episódios de ciúmes. Mensagens atribuídas à vítima indicam que ela demonstrava medo do marido.
Outros elementos também levantaram suspeitas, como a posição da arma na mão da vítima, a ausência do cartucho da bala e indícios de que o local pode ter sido alterado após o ocorrido. Testemunhas afirmaram ainda que o oficial não demonstrava desespero durante o atendimento e teria tomado banho mesmo após orientações para não interferir na cena.
Há também relatos de que policiais militares foram ao imóvel horas depois para realizar a limpeza, o que pode ter comprometido a preservação de provas. O oficial afirmou que a ação ocorreu após liberação da perícia e teria sido autorizada por um superior.
Além do indiciamento por feminicídio, o tenente-coronel também é investigado por fraude processual e violência doméstica. O caso segue sob investigação.



