Panorama

Mulher é espancada e tem casa saqueada pelo ex sob o olhar do filho de 10 anos em São Gonçalo

Mulher denuncia que foi espancada e roubada pelo ex-companheiro em São Gonçalo — Foto: Reprodução/ TV Globo
Mulher denuncia ex-companheiro em São Gonçalo — Foto: Reprodução/ TV Globo

O silêncio do bairro Estrela do Norte, em São Gonçalo, foi rompido por um episódio de horror na última quinta-feira, quando uma mulher foi vítima de uma sequência de agressões e humilhações praticadas pelo seu ex-companheiro. Inconformado com o término da relação, o agressor invadiu a residência e desferiu socos, tapas e pontapés contra a vítima, chegando a enforcá-la até que ela perdesse os sentidos.

O cenário de brutalidade foi testemunhado pelo filho da mulher, uma criança de apenas 10 anos que, em um ato de desespero para salvar a vida da mãe, empunhou uma faca para tentar afastar o agressor, mas acabou também sendo alvo da violência do homem.

Além do trauma físico e psicológico, a vítima enfrenta agora as consequências de uma agressiva violência patrimonial, uma das faces da Lei Maria da Penha que frequentemente acompanha o abuso físico. Enquanto a ex-companheira estava desacordada ou impossibilitada de reagir, o homem saqueou a moradia, levando eletrodomésticos básicos como geladeira, fogão e máquina de lavar, além de documentos essenciais dela e da criança.

Segundo o relato desesperado da vítima, a intenção do agressor parecia ser não apenas feri-la, mas aniquilar qualquer possibilidade de ela seguir a vida de forma independente, deixando-a sem meios de subsistência e sem identificação civil.

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo assumiu a investigação e já solicitou os exames periciais necessários para comprovar a gravidade das lesões. O caso é tratado com prioridade, dada a presença de uma criança como testemunha ocular e também vítima indireta do conflito.

De acordo com especialistas em segurança pública, a retenção de documentos e o roubo de itens domésticos são táticas comuns de agressores para manter o controle sobre as vítimas, dificultando a busca por ajuda oficial e o retorno ao mercado de trabalho, já que a mulher relatou estar “toda roxa” e fisicamente incapacitada de exercer suas atividades profissionais no momento.

Atualmente, a Polícia Civil aguarda os resultados do IML e planeja intimar o agressor para depoimento nos próximos dias. Enquanto o processo judicial caminha, a rede de proteção local busca oferecer o suporte necessário para que a família tente processar o trauma. O caso reforça a urgência de medidas protetivas que não apenas afastem o agressor, mas que também garantam a recuperação do patrimônio básico subtraído, para que a vítima não seja punida duplamente: pela dor da agressão e pela miséria imposta pelo saque de seus bens.

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