
O desempenho histórico do Brasil nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026 fez o país estabelecer um novo objetivo: consolidar-se como uma potência nos esportes de neve. A meta ganhou força após conquistas inéditas tanto nas Olimpíadas quanto nas Paralimpíadas.
Nas Paralimpíadas, o rondoniense Cristian Ribera conquistou a primeira medalha do Brasil na história da competição, com a prata no sprint do esqui cross-country na categoria sitting, destinada a atletas que competem sentados. A conquista ocorreu apenas um mês depois do ouro de Lucas Pinheiro Braathen nas Olimpíadas de Inverno, outro resultado histórico para o país.
Com esses resultados, o Brasil passou a integrar o grupo de nações que já conquistaram medalhas nos quatro principais eventos multiesportivos do mundo: Jogos Olímpicos e Paralímpicos, tanto de verão quanto de inverno.
Planejamento para crescer
Segundo Gustavo Haidar, superintendente técnico e COO da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), o planejamento já previa a conquista de uma medalha em 2026.
Agora, o objetivo é ampliar o número de atletas competitivos nas próximas edições.
“Nosso objetivo principal é se tornar uma potência. Queremos chegar aos próximos Jogos com quatro ou mais atletas brigando por medalhas”, explicou Haidar.
Resultados históricos em Milão-Cortina
Além da medalha de Ribera, o Brasil registrou diversos recordes na competição:
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Maior delegação brasileira em Jogos de Inverno (8 atletas)
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Maior participação feminina (3 atletas)
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Melhor resultado feminino, com Aline Rocha em quinto lugar
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Melhor resultado coletivo, com sétimo lugar no revezamento misto do esqui cross-country
Hoje, somando Jogos Olímpicos e Paralímpicos de verão e inverno, o Brasil acumula 640 medalhas, sendo 469 conquistadas em Paralimpíadas.
Foco no esqui cross-country
A CBDN concentra investimentos principalmente no esqui cross-country, considerado a modalidade de inverno mais viável para desenvolvimento no país. O esporte também serve de base para o biatlo, que combina esqui com tiro esportivo.
Para superar a falta de neve no Brasil, atletas treinam com rollerski, uma adaptação do esqui praticada no asfalto. Além disso, o programa inclui treinamentos internacionais e parcerias com países tradicionais nos esportes de inverno, como a Noruega.
Formação de novos atletas
Atualmente, a CBDN mantém centros de treinamento em São Carlos, Ribeirão Preto, Campinas e Jundiaí, no interior de São Paulo. A estratégia inclui buscar atletas de outras modalidades, especialmente do atletismo paralímpico, caminho seguido por nomes como Cristian Ribera e Aline Rocha.
A formação também conta com parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), que ajuda a identificar talentos por meio de escolinhas esportivas.
Enquanto os esportes de neve avançam, o desenvolvimento das modalidades de gelo ainda é mais lento no país. Há projetos para o curling em cadeira de rodas, mas o Brasil ainda não possui iniciativas estruturadas para outras modalidades paralímpicas de gelo.

