
O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral sobre a situação do governador do Rio, Cláudio Castro, provocou tensão dentro do grupo político do senador Flávio Bolsonaro e pode impactar os acordos para as eleições no estado.
Aliados de Castro afirmam que o cenário jurídico gerou desconfiança dentro do governo estadual. Nos bastidores, há a percepção de que o grupo ligado a Flávio Bolsonaro teria “largado a mão” do governador, o que levou Castro a reavaliar seus próximos movimentos políticos.
Voto inesperado no tribunal
Durante o julgamento, o ministro Antônio Carlos Ferreira votou pela cassação do governador. A expectativa de aliados de Castro era de que o magistrado votasse a favor da manutenção do mandato.
Outro ponto que frustrou o entorno do governador foi o prazo de análise solicitado pelo ministro Kassio Nunes Marques. Castro esperava um pedido de vista de 30 dias, mas a presidente do tribunal, Cármen Lúcia, fixou o prazo em 15 dias.
O julgamento foi suspenso e deve voltar à pauta nos dias 24 e 25 de março.
Processo investiga suposto uso político de contratações
O caso analisa suspeitas de abuso de poder político e econômico envolvendo contratações temporárias no Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, as admissões teriam sido utilizadas para empregar cabos eleitorais durante o período eleitoral.
Cenários políticos em discussão
Diante da incerteza jurídica, aliados do governador discutem diferentes estratégias. Uma delas seria a desincompatibilização antecipada do cargo, com indicação de Castro para o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
Essa manobra garantiria ao governador uma posição institucional caso ele se torne inelegível e abriria espaço para outro nome disputar o Senado.
Outra possibilidade seria Castro permanecer no cargo e manter o atual arranjo político no estado.
Disputa interna no PL
O cenário também envolve o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, apontado como possível candidato ao governo caso o cargo seja aberto antes das eleições.
Já nos bastidores, também surgiu a hipótese de que o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, possa ganhar protagonismo político.
Aliados de Castro ainda articulam para que o ministro André Mendonça também peça vista do processo. A estratégia seria adiar a decisão final até junho, quando Kassio Nunes Marques assumirá a presidência do TSE.
O desfecho do julgamento pode redefinir o cenário político do Rio de Janeiro para as próximas eleições.



