Panorama

Projeto Observatório do Calor será ampliado para comunidades de Manguinhos e Salgueiro

Foto Vitória Pinheiro/ Voz das Comunidades

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (SMAC) vai ampliar o projeto Observatório do Calor para duas novas comunidades da Zona Norte do Rio: Manguinhos e Salgueiro. A iniciativa, que começou no ano passado no Complexo do Alemão, busca monitorar os impactos do calor extremo em áreas urbanas.

O projeto será desenvolvido em parceria com universidades. Em Manguinhos, a iniciativa contará com a participação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enquanto no Salgueiro a parceria será com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A proposta utiliza a chamada Geração Cidadã de Dados, metodologia de pesquisa em que os próprios moradores participam da coleta e da análise das informações sobre seus territórios. O trabalho inclui a instalação de sensores de temperatura e umidade para identificar e monitorar ilhas de calor extremo e indicadores de qualidade do ar.

O objetivo é transformar os dados coletados em base para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, especialmente em áreas mais vulneráveis.

O anúncio da ampliação do programa foi feito nesta quarta-feira (11), durante evento realizado no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, no Centro do Rio.

Participação da comunidade

A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, destacou a importância da participação dos moradores no projeto.

“O calor extremo e a poluição do ar são riscos sérios à saúde, especialmente em áreas vulneráveis. O Observatório do Calor nos permite entender melhor esses impactos de forma localizada e agir de maneira direcionada para proteger a população”, afirmou.

Parceria com universidades

A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, Giselle Arteiro Azevedo, ressaltou que o projeto também permitirá compreender melhor as desigualdades ambientais nos territórios.

“Manguinhos é um território muito adensado e com poucos espaços verdes. Muito provavelmente, as medições vão chamar atenção para essa desigualdade ambiental”, explicou.

Já a diretora da Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ, Zoy Anastassakis, destacou a importância da colaboração entre universidades, poder público e moradores.

“O Observatório do Calor é uma oportunidade para avançarmos na construção de políticas públicas baseadas em situações concretas vividas pelos territórios”, disse.

Resultados no Complexo do Alemão

Durante o evento, a ONG Voz das Comunidades apresentou resultados da pesquisa realizada no Complexo do Alemão, onde o projeto começou a ser desenvolvido.

Entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 foram realizadas 710 medições técnicas de temperatura e 740 entrevistas com moradores.

Um dos dados que chamou atenção foi o registro de 43,9°C no Morro do Adeus, em 26 de dezembro de 2025. No mesmo dia, segundo dados oficiais do Alerta Rio, a temperatura máxima registrada na Zona Sul e no Centro da cidade foi de 34°C.

O levantamento também identificou microclimas urbanos dentro do território, com registros de temperaturas superiores a 40°C e impactos diretos na saúde e no bem-estar da população.

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