Panorama

TikTok remove vídeos da trend “Caso ela diga não” por incentivo à violência

PF apura trend que incita violência contra mulher "caso ela diga não"
Reprodução/ redes sociais

A plataforma TikTok informou que removeu todos os vídeos relacionados à trend “Caso ela diga não”, após identificar que o conteúdo incentivava a violência contra mulheres em situações de rejeição. Segundo a empresa, as publicações violavam as diretrizes de conteúdo da comunidade.

De acordo com a rede social, conteúdos que promovam discurso de ódio ou comportamentos violentos não são permitidos na plataforma. Em nota, o TikTok afirmou que sua equipe de moderação segue monitorando o tema para identificar e retirar do ar qualquer material semelhante.

A empresa declarou ainda que continua investindo em mecanismos para reforçar a segurança da comunidade e evitar a circulação de conteúdos que incentivem violência ou ideologias de ódio.

A investigação sobre a trend também envolve a Polícia Federal, que já identificou 15 perfis responsáveis pela publicação original dos vídeos. Segundo a Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos, a maioria dessas contas foi criada entre 2024 e 2025, e parte dos conteúdos que viralizaram começou a circular no ano passado.

Os vídeos ganharam grande repercussão nas redes sociais no início deste mês, período em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, após usuários denunciarem a prática.

Nas publicações, homens simulavam situações românticas, como pedidos de casamento ou abordagens amorosas. Após encenarem uma rejeição feminina, os autores dos vídeos representavam reações violentas, como socos, chutes e até simulações de ataques com armas.

Diante das denúncias, a Polícia Federal abriu inquérito e iniciou troca de informações com a plataforma para aprofundar a investigação. Os investigadores também solicitaram a preservação dos dados das contas envolvidas para análise no processo.

O caso também passou a ser acompanhado pelo Ministério Público Federal, que avalia possíveis medidas relacionadas à divulgação de conteúdos que possam configurar apologia à violência contra mulheres.

A repercussão levou diversos influenciadores a se posicionarem contra a trend nas redes sociais. A influenciadora Hana Khalil afirmou que esse tipo de conteúdo contribui para normalizar a violência de gênero.

A investigação ocorre em meio ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.568 mulheres assassinadas em razão de sua condição de gênero, o maior número da última década. O total representa um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.492 casos. Segundo os dados, a média foi de quatro mulheres mortas por dia no ano passado.

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