
A Polícia Federal solicitou a abertura de inquérito para investigar o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), por suspeita de lavagem de dinheiro.
A medida foi adotada após a perícia realizada nos celulares apreendidos com o parlamentar apontar indícios de que ele seria sócio oculto de um frigorífico em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
De acordo com a investigação, mensagens extraídas dos aparelhos indicam possível atuação de Bacellar nos bastidores do Frigorífico Grandbull, empreendimento com capital social superior a R$ 5 milhões e estrutura de grande porte. Formalmente, o proprietário é o advogado Jansens Calil Siqueira.
Em conversas analisadas, o empresário convida Bacellar para um encontro com o que chama de “principal cliente do frigorífico”, o que, na avaliação dos investigadores, sugeriria envolvimento direto nas atividades da empresa.
Em outro diálogo, Jansens solicita “um valor considerável” para realizar a desossa no frigorífico, mencionando a possibilidade de ajuda financeira. Para a PF, o teor da mensagem indica que o empresário recorria ao deputado em momentos de necessidade de aporte.
Também foi identificado que, em setembro de 2025, Bacellar encaminhou ao advogado um parecer do Ministério Público que tratava de atos de improbidade administrativa e mencionava possível participação dele como sócio oculto na empresa.
Empréstimo da AgeRio
A apuração inclui ainda a análise de um empréstimo concedido pela Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio) ao frigorífico. Em conversa de 2023, Jansens afirma ter contratado crédito de R$ 1,5 milhão junto à agência estadual, posteriormente quitado.
A PF quer verificar se houve eventual influência política para facilitar a liberação do financiamento.
Evolução patrimonial
Outro ponto sob investigação é a evolução patrimonial de Bacellar. Segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, o patrimônio do parlamentar passou de R$ 85 mil, em 2018, para R$ 793 mil, em 2022 — crescimento de quase dez vezes no período.
Os investigadores também analisam bens que, segundo a apuração, podem estar relacionados ao deputado, como uma mansão em Teresópolis, um terreno de 70 mil metros quadrados em Campos e dois apartamentos de alto padrão em Copacabana e no Leme, na capital fluminense.
O Ministério Público Estadual já havia apurado a relação de Bacellar com o frigorífico, mas o procedimento foi arquivado pelo Conselho Superior do MP. Com as novas provas obtidas a partir dos celulares, a Polícia Federal instaurou novo procedimento para investigar possível ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.
Defesa
Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que houve “ação açodada e arbitrária” por parte da autoridade policial e classificou a apuração como tentativa de criar fatos sem fundamento. Os advogados negam que o deputado tenha participação nos imóveis e negócios citados e afirmam que há prática de “pesca probatória”.
Não houve pronunciamento da defesa de Jansens Calil Siqueira e o Frigorífico Grandbull.


