Panorama

Polícia Federal conclui indiciamento de Rodrigo Bacellar, TH Joias e mais três por suposto repasse de dados ao Comando Vermelho

TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj — Foto: Divulgação
TH Joias e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj — Foto: Divulgação

A Polícia Federal finalizou o indiciamento do deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), atualmente licenciado da presidência da Alerj, do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, e de outras três pessoas por suspeita de envolvimento no vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho.

Além dos dois parlamentares, também foram formalmente indiciados Flávia Júdice Neto, Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado. O advogado de TH Joias declarou que o ex-deputado não praticou qualquer ato de repasse de informações e negou ligação com a facção criminosa. As defesas dos demais citados não haviam se posicionado até a publicação desta matéria.

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região Macário Judice Neto, que chegou a ser alvo de prisão no decorrer das investigações, ficou fora da lista de indiciados. Conforme a PF, a apuração envolvendo magistrados segue regras específicas previstas na legislação que rege a carreira.

Operações e suspeitas

Rodrigo Bacellar foi preso em dezembro durante a Operação Unha e Carne, que apura possível vazamento de dados ligados à Operação Zargun. Esta última foi responsável pela prisão de TH Joias em setembro do ano passado.

A investigação aponta que, na véspera da deflagração da Zargun, Bacellar teria entrado em contato com TH para alertá-lo sobre a existência de mandados judiciais. Segundo os investigadores, a conversa teria levado o então deputado a retirar objetos da residência, utilizando inclusive um caminhão-baú. Quando os agentes chegaram ao imóvel, na Barra da Tijuca, ele não estava no local.

Dias após a prisão, Bacellar foi solto por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a substituição da prisão por medidas cautelares.

Esquema investigado

De acordo com a Polícia Federal, a Operação Zargun revelou indícios de um esquema que envolveria integrantes do Comando Vermelho, agentes públicos e políticos. A suspeita é de que o grupo buscava acesso privilegiado a informações internas e proteção institucional, além de atuar na negociação de armas e equipamentos.

As apurações também indicam possíveis crimes de organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. Houve ainda bloqueio de bens que podem chegar a R$ 40 milhões.

Com a conclusão do indiciamento, o material será encaminhado ao Ministério Público, responsável por analisar se apresentará denúncia formal à Justiça.

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