Panorama

Diretora da Conmebol critica domínio brasileiro e projeta avanço acelerado das SAFs

Palmeiras 0 x 1 Flamengo, na final de Lima, no Peru: predomínio brasileiro na principal competição do continente — Foto: Camila Alves
Palmeiras 0 x 1 Flamengo, na final de Lima, no Peru — Foto: Camila Alves

A diretora jurídica e secretária-geral adjunta da Confederação Sul-Americana de Futebol, Montserrat Jiménez, afirmou que não vê com bons olhos o predomínio dos clubes brasileiros nas competições continentais e avaliou que a diferença para o restante da América do Sul tende a aumentar nos próximos anos.

A declaração foi feita durante painel promovido pela FIFA, em Budapeste, na Hungria, dentro do congresso Football Law Annual Review (FLAR), que debateu, entre outros temas, o crescimento das redes multiclubes (MCOs).

Finais cada vez mais brasileiras

Ao analisar o cenário recente da Copa Libertadores da América, Montserrat destacou a sequência de decisões dominadas por equipes do Brasil. Nas últimas oito finais, apenas uma não contou com brasileiros, e desde 2019 todos os títulos ficaram com clubes do país. Em cinco oportunidades, a taça foi disputada exclusivamente entre times brasileiros — como ocorreu na decisão entre Flamengo e Palmeiras.

Segundo ela, a tendência é que esse cenário se intensifique, principalmente com o avanço das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a entrada de clubes brasileiros em redes multiclubes em ritmo acelerado.

— Hoje já existe uma diferença econômica entre o Brasil e os outros nove países sul-americanos. E esse descolamento pode se tornar ainda maior — avaliou.

Expansão das redes multiclubes

Durante o debate, que contou também com representantes de federações internacionais e da Asociación del Fútbol Argentino (AFA), a dirigente reconheceu que o modelo de SAF “veio para ficar”, impulsionado pela necessidade crescente de investimentos no futebol profissional.

Ela, no entanto, demonstrou preocupação com a origem de parte dos recursos que abastecem essas estruturas empresariais, ressaltando a complexidade de fiscalização e os riscos relacionados a capitais externos ao esporte.

— Não podemos ignorar a realidade. Mas há muito trabalho a ser feito para garantir transparência e controle — afirmou.

Impacto na formação de atletas

Montserrat também alertou para possíveis reflexos no desenvolvimento de jovens jogadores. Na avaliação dela, redes multiclubes focadas em retorno financeiro podem reduzir investimentos em categorias de base, já que a formação de atletas nem sempre é rentável a curto prazo.

— A formação não é um negócio de retorno imediato. Investimos em milhares de jovens e apenas uma pequena parcela chega ao profissional — pontuou.

Próximos compromissos

O sorteio da fase de grupos da Libertadores e da Copa Sul-Americana está marcado para 19 de março, em Assunção, no Paraguai. A final da Libertadores deste ano será disputada em Montevidéu, no Uruguai, enquanto a decisão da Sul-Americana acontecerá em Barranquilla, na Colômbia.

A dirigente reforçou que o desafio da Conmebol será equilibrar crescimento econômico e competitividade esportiva, evitando que a distância entre o futebol brasileiro e os demais países do continente se torne ainda maior.

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