Panorama

Cinco pessoas são indiciadas por incêndio no Shopping Tijuca

Veja como ficou o subsolo do Shopping Tijuca três dias após incêndio que matou duas pessoas — Foto: Divulgação Corpo de Bombeiros
— Foto: Divulgação Corpo de Bombeiros

A 19ª Delegacia de Polícia concluiu, nesta quinta-feira (26), o inquérito sobre o incêndio que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, no dia 2 de janeiro. Cinco pessoas foram indiciadas. O caso deixou dois funcionários mortos e quatro feridos.

De acordo com a investigação, houve falhas de gestão, demora na comunicação ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e erros nos protocolos de segurança.

Quem foi indiciado

Adriana Santilhana Nietupski, superintendente do shopping, e Pedro Paulo Alvares, gerente de operações, foram indiciados por incêndio doloso qualificado pela morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde de terceiros e fraude processual.

Renata Barcelos Pereira Noronha, gerente de negócios, responderá pelos mesmos crimes, com exceção da fraude processual.

Já Fabio Arruda Soares e Felipe Gonçalves Franciscone, funcionários da loja Bell’Art — onde o fogo teve início —, foram indiciados por incêndio doloso e lesão corporal.

Falhas apontadas

Ao todo, 38 pessoas foram ouvidas. Segundo a polícia, depoimentos e laudos técnicos indicaram uma sucessão de falhas que contribuíram para as mortes da bombeira civil Emellyn Silva Aguiar Menezes e do supervisor de segurança Anderson Aguiar.

Anderson e Emmelyn morreram em incêndio no Shopping Tijuca — Foto: Reprodução
Anderson e Emmelyn morreram em incêndio no Shopping Tijuca — Foto: Reprodução

Entre os problemas identificados estão:

  • falhas na comunicação após o início do incêndio;
  • ausência de alarmes eficazes;
  • evacuação desorganizada;
  • treinamento insuficiente;
  • demora no repasse de informações precisas às equipes de resgate.

A delegacia informou que o botão de pânico foi acionado às 18h04, mas o chamado aos bombeiros só ocorreu às 18h27. As equipes chegaram ao local às 18h40.

Também foi constatado que a loja não possuía alvará dos bombeiros e que o shopping não contava com sistema adequado de exaustão de fumaça.

Fraude processual

A investigação aponta ainda que responsáveis pelo centro comercial permitiram a entrada de pessoas em uma área interditada e a retirada de um item considerado importante para a apuração dos fatos.

Conclusões do laudo técnico

O laudo concluiu que o incêndio teve origem elétrica previsível, em ambiente tecnicamente inadequado, e foi agravado por falhas estruturais e de segurança.

Os peritos destacaram:

  • instalações elétricas fora das normas técnicas;
  • elevada carga de incêndio, inclusive em áreas técnicas;
  • falhas na compartimentação;
  • atuação insuficiente dos sistemas de combate às chamas;
  • ausência de controle eficiente da fumaça.

Segundo o documento, esses fatores contribuíram diretamente para a rápida propagação do fogo e para a gravidade das consequências.

Compartilhar :

Facebook
Twitter