Panorama

De Nova Iguaçu para o mundo: Ana Paula Maia é semifinalista de um dos maiores prêmios literários do planeta

Ana Paula Maia, autora de 'Assim na terra como embaixo da terra' — Foto: Reprodução
Ana Paula Maia, autora de ‘Assim na terra como embaixo da terra’ — Foto: Reprodução

A literatura produzida na Baixada Fluminense acaba de ganhar projeção internacional. A escritora Ana Paula Maia, nascida em Nova Iguaçu, foi anunciada nesta terça-feira (24) , como uma das 13 semifinalistas do International Booker Prize, um dos mais importantes e prestigiados prêmios da literatura mundial.

Ela disputa a premiação com o romance “Assim na terra como embaixo da terra”, publicado no Brasil em 2017 e lançado em inglês em 2025 com o título “On Earth as It Is Beneath”, pela editora britânica Charco Press, especializada em autores latino-americanos. A tradução é da escritora canadense Padma Viswanathan.

O International Booker reconhece obras de ficção traduzidas para o inglês e publicadas no Reino Unido ou na Irlanda. Ao longo de uma década no formato atual, o prêmio nunca consagrou livros originalmente escritos em português ou espanhol, o que torna a presença da autora brasileira ainda mais simbólica.

No site oficial do prêmio, os jurados descrevem a escrita da autora como “maestral” e classificam o romance como “vívido e assombroso”, ressaltando sua abordagem contundente sobre poder, violência e corrupção. O crítico do New York Times, Gabino Iglesias, também destacou a força da narrativa, chamando a prosa de Maia de “inventiva e impávida”, capaz de equilibrar brutalidade e beleza com precisão.

A obra mergulha na rotina de uma colônia penal isolada, erguida sobre um terreno marcado por torturas e assassinatos. Prestes a ser desativada, a instituição aparenta tranquilidade, mas os horrores que habitam suas paredes emergem gradualmente.

No centro da trama está Melquíades, o agente responsável pela prisão, que promove um ritual perverso: nas noites de lua cheia, solta detentos para que corram e os caça com um rifle, transformando homens em presas. A narrativa expõe a desumanização extrema em um ambiente onde a punição suplantou qualquer vestígio de justiça.

Segundo a própria autora, personagens como Bronco Gil, Valdênio e Melquíades podem ser reconhecidos em diferentes regiões do Brasil. A brutalidade e o instinto de sobrevivência que atravessam a história, afirma, dialogam com um mundo que vive tempos sombrios e uma sensação constante de desolação.

No dia 31 de março, a lista será reduzida a seis finalistas. O vencedor será anunciado em 19 de maio, em cerimônia no museu Tate Modern, em Londres. O prêmio é de 50 mil libras, cerca de R$ 300 mil.
Saída da Baixada Fluminense para disputar espaço entre os maiores nomes da literatura internacional, Ana Paula Maia leva a escrita brasileira a um dos centros mais simbólicos do mercado editorial mundial e amplia o alcance da ficção produzida no país.

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