Panorama

Acadêmicos de Niterói vira alvo de críticas e questionamentos judiciais após ensaio com provocações a Bolsonaro

Acadêmicos de Niterói faz ensaio técnico na Sapucaí — Foto: Reprodução/Youtube Rio Carnaval
Acadêmicos de Niterói faz ensaio técnico na Sapucaí — Foto: Reprodução/Youtube Rio Carnaval

O ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, realizado na última sexta-feira (30), na Marquês de Sapucaí, gerou reação de políticos da oposição após a exibição, nos telões, de provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A escola levará para o desfile deste ano um enredo que retrata a trajetória pessoal e política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A senadora Damares Alves (Republicanos) protocolou denúncia no Ministério Público Eleitoral, alegando que a agremiação teria utilizado recursos públicos para promoção pessoal de um possível candidato à Presidência da República e para a realização de propaganda eleitoral antecipada. O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) também afirmou ter apresentado representação ao Ministério Público do Rio pedindo abertura de inquérito. Já o deputado federal Eduardo Pazuello (PL) criticou a escola nas redes sociais, afirmando que a apresentação não se trata de arte, mas de militância política.

O caso chegou ao Tribunal de Contas da União (TCU). O auditor Gregório Silveira de Faria recomendou que o governo federal não efetue o pagamento de R$ 1 milhão previsto em um acordo de cooperação entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) destinado à Acadêmicos de Niterói. A recomendação atende a pedido de seis deputados federais do partido Novo, que apontam possível desvio de finalidade no uso dos recursos públicos.

O samba-enredo da escola, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narra a trajetória do presidente Lula, apontado como possível candidato à reeleição em 2026. Os parlamentares solicitam que o TCU impeça a apresentação do samba ou determine a devolução dos valores, caso o desfile seja mantido com recursos próprios. Também pedem a responsabilização de gestores e autoridades envolvidas, com aplicação das sanções previstas em lei. Ainda não há prazo para julgamento.

Em nota, a Embratur informou que prevê a destinação igualitária de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial do Rio e afirmou que não interfere na escolha dos enredos, respeitando a autonomia artística e a liberdade de expressão das agremiações. A instituição declarou ainda que não foi formalmente notificada pelo TCU e que está à disposição para prestar esclarecimentos.

Além dos recursos da Embratur, as escolas de samba receberam R$ 40 milhões do governo do estado e R$ 25 milhões da prefeitura do Rio, valores divididos igualmente entre as agremiações. A prefeitura de Niterói repassou R$ 4 milhões para a Acadêmicos de Niterói e outros R$ 4 milhões para a Unidos do Viradouro.

Procurada pelo G1, a Acadêmicos de Niterói não comentou as críticas. A Liesa informou que não recebeu notificações e destacou que é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que segue diretrizes estabelecidas pelos órgãos públicos.

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