Panorama

Conta de luz fica mais cara no Rio com nova Cosip

Postes de rede elétrica próximo ao Colégio Militar de Brasilia, no bairo da Asa Norte
A mudança foi aprovada pela Câmara dos Vereadores em setembro de 2025 – Foto:Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A conta de energia elétrica ficou mais cara para grande parte dos moradores do Rio de Janeiro a partir de fevereiro, com a entrada em vigor das novas regras da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip). A mudança foi aprovada pela Câmara dos Vereadores em setembro de 2025 e passou a valer neste mês.

A Cosip é uma contribuição municipal cobrada junto à conta de luz e destinada ao custeio da iluminação pública. Com a alteração, além da manutenção do sistema de iluminação, os recursos também poderão financiar outros projetos da prefeitura, como a criação da futura Força Municipal de Segurança, que atuará armada nas ruas da cidade.

A nova regra provoca aumentos reais na maioria das faixas de consumo residencial, comercial e industrial, com critérios específicos conforme o uso do imóvel. Os valores seguem aparecendo de forma pouco destacada na fatura de energia, o que pode dificultar a identificação do reajuste pelos consumidores.

No caso dos imóveis residenciais, o impacto é maior para quem consome acima de 300 kWh por mês — patamar comum para famílias de classe média. Um consumidor que hoje paga cerca de R$ 370 na conta de luz passará a recolher R$ 45,09 de Cosip mensalmente, contra os R$ 19,38 cobrados anteriormente. O aumento é de 132,7%. Em um ano, a despesa com a contribuição chega a R$ 541,08, ante R$ 232,56 no modelo antigo.

Regra de transição e cálculo complexo

O cálculo da nova Cosip seguirá uma regra de transição considerada complexa. Até que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorize um novo reajuste tarifário — o que geralmente ocorre em novembro —, o valor da contribuição será baseado no consumo registrado em janeiro, período de maior demanda por energia. Assim, mesmo que o morador reduza o consumo nos meses seguintes, o valor da Cosip permanecerá o mesmo.

Após a autorização de novo reajuste pela Aneel, o cálculo passará a considerar a média de consumo dos 12 meses anteriores.

Os cálculos apresentados pelo O Globo adotam um cenário conservador, com base na bandeira tarifária verde aplicada em janeiro. Caso haja acionamento de bandeiras amarela ou vermelha, com uso de usinas térmicas, o impacto financeiro pode ser ainda maior, devido a regras adicionais de cobrança.

As comparações foram atualizadas pela inflação e realizadas com o apoio do gabinete do vereador Pedro Duarte (sem partido).

Impacto por regiões e consumo

De acordo com o estudo, em regiões como Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, onde o consumo mensal costuma ultrapassar 300 kWh, a Cosip pode representar um aumento de 7% a 8,4% no valor final da conta de luz em residências com três ou quatro moradores.

Por outro lado, a legislação protege consumidores com gasto de até 170 kWh por mês, embora o alívio seja pequeno. Um exemplo citado é o de um morador de Vila Isabel que consumiu 166 kWh: nesse caso, o acréscimo na conta será de apenas R$ 0,15.

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