Dupla usava dispositivos eletrônicos de alta tecnologia para abrir veículos e vender caminhonetes a traficantes da Nova Holanda, segundo a Polícia Civil
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_1f551ea7087a47f39ead75f64041559a/internal_photos/bs/2026/C/H/sV1k53RHmSdqwrVqKBdg/quadrilha.avif)
Dois homens apontados como integrantes de uma quadrilha especializada no furto de carros de luxo foram presos nesta segunda-feira (05), na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. Segundo a Polícia Civil, os veículos eram vendidos para traficantes da comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré, e usados para abastecer o crime organizado com armas, drogas e peças automotivas.
Os presos foram identificados como Fagner Yúri de Jesus Siqueira, conhecido como Pitoco, de 22 anos, e Matheus Ferreira Vasconcelos, o Coxinha, de 24. A ação foi realizada por policiais da 15ª DP (Gávea), após um cruzamento de informações de inteligência que apontou a presença da quadrilha na Barra da Tijuca.
De acordo com as investigações, o grupo monitorava previamente os veículos de grande porte antes de executar os furtos. Para cometer os crimes, os suspeitos utilizavam equipamentos eletrônicos de alta tecnologia, como decodificadores e emuladores de chave, adquiridos pela internet. Com esses dispositivos, os criminosos conseguiam abrir e ligar os carros em poucos minutos. Os veículos eram negociados por valores entre R$ 10 mil e R$ 20 mil em grupos de mensagens.
“Em menos de três minutos, os criminosos conseguem entrar no carro e levar para a comunidade. Nesse local, a caminhonete recebe outra placa e segue rapidamente para o Paraguai, onde pode ser trocada por armas ou drogas, ou então é desmontada pela facção criminosa, que revende as peças”, explicou a delegada Daniela Terra, titular da 15ª DP, em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.
Ainda segundo a polícia, a própria facção criminosa treinava os integrantes da quadrilha, oferecendo “cursos” para abertura e acionamento dos veículos. A organização também alugava os decodificadores de chave utilizados nos furtos.
As prisões ocorreram após os agentes identificarem movimentação suspeita na Avenida Lúcio Costa. Os dois homens estavam próximos a um carro estacionado e chamaram a atenção dos policiais. Durante a abordagem, foram apreendidos um decodificador de chaves, três celulares e ferramentas utilizadas nos crimes.
Na delegacia, ficou constatado que a quadrilha atuava de forma dividida: um integrante fazia o mapeamento dos veículos, outro era responsável por abrir e ligar o carro, e um terceiro ficava encarregado da vigilância do entorno, alertando sobre a aproximação de policiais.
Fagner e Matheus prestaram depoimento e vão responder por associação para o tráfico de drogas e tentativa de furto qualificado. Em seguida, foram encaminhados à Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), já que são apontados como autores de dezenas de crimes investigados pela especializada. O jornal EXTRA informou que tenta localizar a defesa dos suspeitos.
Operação Torniquete
A prisão dos suspeitos integra a segunda fase da Operação Torniquete, que tem como objetivo combater roubos, furtos e a receptação de cargas e veículos usados para financiar facções criminosas. Desde setembro de 2024, a operação já resultou em mais de 740 prisões, além da recuperação de cargas e veículos avaliados em quase R$ 45 milhões e no bloqueio de mais de R$ 70 milhões em bens e valores, segundo a Polícia Civil.


