Panorama

Com recorde de atletas, Corrida de São Silvestre terá centésima edição

Mais de 50 mil corredores estão inscritos

Largada da 95ª Corrida de São Silvestre na Paulista
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Corrida Internacional de São Silvestre chega à sua centésima edição em 2025 com recorde de participação. Mais de 50 mil corredores estão inscritos para a prova, que será realizada no dia 31 de dezembro, em São Paulo. Considerada a corrida de rua mais tradicional do país, a São Silvestre mantém, ao longo de um século, sua importância no calendário esportivo nacional e internacional.

A origem da prova remonta a 1925, quando o jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero idealizou a corrida após assistir, em Paris, a uma competição noturna em que atletas corriam carregando tochas. Inspirado pela experiência, ele decidiu criar no Brasil uma prova semelhante, marcada para o último dia do ano. Assim, em 31 de dezembro de 1925, foi realizada a primeira Corrida de São Silvestre, batizada em referência ao santo celebrado na data.

A edição inaugural contou com 60 inscritos, dos quais 48 participaram da largada, realizada às 23h40, no Parque Trianon, na Avenida Paulista. O percurso, de 8,8 quilômetros pelas ruas de São Paulo, foi vencido por Alfredo Gomes, que completou a prova em 23 minutos e 19 segundos. O atleta já era destaque no esporte nacional e havia representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, tornando-se o primeiro atleta negro a competir pelo país em uma Olimpíada.

Ao longo das décadas, a São Silvestre se consolidou como a prova mais conhecida do país e só deixou de ser realizada uma única vez, em 2020, em razão da pandemia da covid-19. Embora a corrida tenha completado 100 anos de história em 2024, é apenas em 2025 que ela alcança oficialmente sua centésima edição, agora com o maior número de participantes já registrado.

Internacionalização e protagonismo brasileiro

Nas primeiras edições, a prova era disputada exclusivamente por atletas brasileiros. A partir de 1927, a organização passou a permitir a participação de estrangeiros residentes no Brasil, o que resultou nas vitórias do italiano Heitor Blasi nas edições de 1927 e 1929. Ele foi o único estrangeiro a vencer a corrida durante a chamada fase nacional, que se estendeu até 1944.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a São Silvestre passou a receber atletas estrangeiros, inicialmente da América do Sul. Dois anos depois, a competição se tornou oficialmente internacional. Esse período marcou uma longa sequência sem vitórias brasileiras, encerrada apenas em 1980, quando o pernambucano José João da Silva venceu a prova.

A participação feminina na São Silvestre teve início em 1975. A primeira vencedora entre as mulheres foi a alemã Christa Valensieck, abrindo caminho para a consolidação da presença feminina na corrida.

Ídolos e histórias marcantes

Com o passar dos anos, atletas brasileiros que venceram a São Silvestre passaram a ocupar um lugar de destaque na memória esportiva do país. A vitória de José João da Silva, em 1980, simbolizou a retomada do protagonismo nacional e marcou uma geração.

Outro nome de destaque é Marílson Gomes dos Santos, o brasileiro com mais títulos desde a internacionalização da prova. Ele venceu a São Silvestre em três oportunidades, nos anos de 2003, 2005 e 2010, tornando-se uma das principais referências do atletismo de rua no país.

No feminino, Maria Zeferina Baldaia construiu uma trajetória marcada por superação. Trabalhadora rural por duas décadas, começou a correr ainda criança, muitas vezes descalça, até se tornar atleta profissional. Em 2001, conquistou a vitória na São Silvestre, transformando sua história pessoal em referência para outras mulheres no esporte.

O reconhecimento da trajetória de Zeferina ultrapassou as pistas. Em Sertãozinho, no interior de São Paulo, o centro olímpico da cidade passou a levar o nome da atleta, como forma de homenagear sua contribuição ao atletismo e inspirar novas gerações.

Maiores vencedores

A maior vencedora da história da São Silvestre é a portuguesa Rosa Mota, com seis vitórias consecutivas no início da década de 1980. Em seguida, aparece o queniano Paul Tergat, com cinco títulos. Entre os brasileiros, o maior vencedor é Marílson Gomes dos Santos, com três conquistas.

Desde 1945, quando a prova se tornou internacional, atletas brasileiros venceram a São Silvestre 16 vezes — 11 no masculino e cinco no feminino. A última vitória brasileira entre os homens ocorreu em 2010, com Marílson. No feminino, o último título foi conquistado por Lucélia Peres, em 2006.

Atualmente, a Corrida de São Silvestre é aberta a diferentes públicos, com largadas específicas para atletas de elite, homens e mulheres, além de cadeirantes, atletas com deficiência e corredores amadores. A organização adota um sistema de largadas em ondas, garantindo a segurança e o bom andamento da prova.

Além da competição principal, a programação inclui a São Silvestrinha, prova voltada para crianças e adolescentes, realizada em data diferente e no Centro Olímpico do Ibirapuera, reforçando o caráter inclusivo e formativo do evento.

Com participantes de diversas partes do Brasil e do mundo, a São Silvestre mantém sua característica democrática, reunindo atletas profissionais e amadores que percorrem alguns dos principais cartões-postais da capital paulista, celebrando o esporte e a chegada do Ano-Novo.

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