Panorama

Casal de turistas é agredido por comerciantes após discussão por cobrança em Porto de Galinhas

Desentendimento sobre valores de barracas terminou em violência; 14 suspeitos foram identificados, segundo o governo de Pernambuco

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Um casal de turistas de Mato Grosso foi agredido na tarde deste sábado (27) por comerciantes na praia de Porto de Galinhas, no litoral sul de Pernambuco, após um desentendimento relacionado à cobrança por serviços oferecidos por barraqueiros. O caso gerou grande repercussão e mobilizou autoridades estaduais e municipais.

O personal trainer Johnny Andrade e o companheiro, Cleiton Zanatta, relataram que as agressões começaram depois que questionaram o valor cobrado pelo aluguel de barracas e cadeiras. Segundo Johnny, o preço apresentado no momento do pagamento era quase o dobro do que havia sido combinado inicialmente.

“Quando fomos pagar a conta, o valor cobrado era outro, quase o dobro. Nós questionamos e eu falei: ‘Cara, não foi esse o valor que você havia combinado com a gente’. Eu disse que não pagaria e que pagaria apenas o que havia sido combinado. Ele afirmou que pagaríamos, sim, aquele valor, pegou uma cadeira e a jogou em mim. Tentei me defender, mas fui jogado no chão”, afirmou Johnny em publicação nas redes sociais.

De acordo com o casal, após o início da confusão, cerca de 15 pessoas passaram a agredi-los. Em meio ao tumulto, eles conseguiram correr ao avistar um salva-vidas. Ainda assim, relataram que não receberam ajuda imediata de frequentadores da praia.

“Todo mundo filmando, mas ninguém nos ajudou. Até que o Corpo de Bombeiros nos colocou em cima do carro deles, mas, não contentes, continuaram nos agredindo e jogando areia no nosso rosto. Graças a Deus e ao salva-vidas conseguimos sair, porque, se não fossem eles, estaríamos mortos. Foi um massacre, um ato de atrocidade”, relataram.

Após as agressões, o casal foi levado pelos salva-vidas até a delegacia de Porto de Galinhas. No entanto, devido aos ferimentos, foram orientados a buscar atendimento médico antes de prestar depoimento. Sem ambulância disponível, precisaram se deslocar por aplicativo até um hospital da região. Como a unidade não dispunha de exames de imagem, foram encaminhados ao Hospital de Ipojuca, novamente por transporte por aplicativo. Só depois retornaram à delegacia para registrar o boletim de ocorrência.

Johnny e Cleiton afirmaram que pretendem responsabilizar o poder público pelo episódio. “Intimo o prefeito a arcar com nossos prejuízos. Não vamos deixar isso barato. Já acionamos nossos advogados e vamos processar a prefeitura e o Estado de Pernambuco”, disse Johnny.

Em nota, a Prefeitura de Ipojuca lamentou o ocorrido e informou que as autoridades competentes irão investigar os envolvidos e adotar as medidas legais cabíveis. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), classificou o episódio como “crime grave” e afirmou, em entrevista à Rádio Jornal nesta segunda-feira (29), que 14 agressores já foram identificados e serão indiciados.

Raquel Lyra declarou que a Secretaria de Defesa Social tomará todas as providências contra os responsáveis e pediu desculpas às vítimas. “Porto de Galinhas é um lugar que todo pernambucano tem no coração, é o quarto maior destino turístico do Brasil, e o que aconteceu é absolutamente inadmissível”, afirmou. Segundo a governadora, o episódio não reflete o povo pernambucano, que ela definiu como acolhedor e receptivo aos turistas.

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