Panorama

Ex-diretor-geral da PRF é preso no Paraguai após romper tornozeleira eletrônica e tentar deixar a América do Sul

Silvinei Vasques tentava embarcar para El Salvador com passaporte paraguaio falso; ele foi condenado pelo STF por participação na tentativa de golpe de 2022

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agencia Brasil

O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso na madrugada desta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai, quando tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador. Ele havia rompido a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina, deixado o Brasil sem autorização judicial e cruzado a fronteira em direção ao país vizinho.

Assim que o rompimento do equipamento de monitoramento foi identificado, as autoridades brasileiras acionaram alertas nas fronteiras e comunicaram a adidância brasileira no Paraguai. No aeroporto, Silvinei utilizava um passaporte paraguaio original, mas que não correspondia à sua identidade. Ao tentar deixar o terminal, foi abordado e preso pelas autoridades paraguaias.

Após a detenção, Silvinei foi identificado formalmente e colocado à disposição do Ministério Público do Paraguai. Ele deve passar por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira e, em seguida, ser entregue às autoridades brasileiras.

Na semana passada, Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), por participação na tentativa de golpe de Estado liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a decisão, ele teria coordenado o uso da PRF para dificultar o deslocamento de eleitores no Nordeste, região onde havia expectativa de maior votação no então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no segundo turno das eleições de 2022.

Depoimentos colhidos no processo apontam que Silvinei teria afirmado que “era hora de a PRF tomar um lado”. Os ministros do STF também citaram a chamada “inércia criminosa” do então diretor-geral durante os bloqueios de rodovias federais realizados por caminhoneiros após o resultado das eleições.

Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, afirmou que a PRF deixou de agir para desobstruir vias estratégicas para o transporte de alimentos e medicamentos. “A PRF cruzou os braços para a paralisação de inúmeras rodovias federais, mas ele simplesmente não desobstruía. Foi necessária uma determinação minha”, declarou o ministro em seu voto.

Compartilhar :

Facebook
Twitter