
A Polícia Civil realizou, na manhã desta segunda-feira (8), uma operação contra uma rede de influenciadores que, segundo as investigações, incentivavam “pegas” — corridas ilegais, como “rachas” — e manobras perigosas em vias movimentadas do Rio de Janeiro. Ao todo, seis pessoas foram presas, e as equipes apreenderam 8 carros, 9 motos, um quadriciclo e uma moto aquática. A ação cumpriu 17 mandados contra 9 influenciadores.
De acordo com a DRCI, um dos alvos chegou a ser visto no início do ano circulando pela Ponte Rio-Niterói em uma moto aquática adaptada. Os agentes afirmam ainda que integrantes do grupo também foram flagrados em pistas do BRT e até em linhas férreas. As investigações tiveram início após a circulação de vídeos nas redes sociais que mostravam os participantes realizando manobras de alto risco nas ruas. Segundo a polícia, eles utilizavam a exibição dessas ações para se promover, obter lucro e ampliar a notoriedade online.
A DRCI identificou um padrão coordenado de atuação, com postagens sincronizadas, uso das mesmas hashtags e aparições conjuntas em eventos clandestinos envolvendo veículos de alto valor. O delegado Luiz Lima, titular da unidade, afirmou que as infrações eram convertidas em monetização nas plataformas digitais e estimou em “milhões” o lucro do grupo, sem detalhar valores. “São duas investigações que correm paralelamente. Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelos crimes do Código de Trânsito, contra essas arruaças. Mas, na verdade, quando examinamos os aparelhos celulares deles, vimos que faziam exploração de jogos ilícitos. Arregimentavam seguidores e divulgavam jogos ilícitos, ganhando em cima disso”, disse o delegado.
Os policiais buscam telefones e outros elementos que possam identificar envolvidos adicionais e bens usados nas infrações. “A partir do momento que eles começaram a divulgar esses pegas, o que eles chamam de grau, que é empinar a motocicleta, iniciamos um monitoramento e conseguimos apreender veículos usados por eles”, destacou o delegado.
Os influenciadores agora são investigados por atentado contra a segurança de meios de transporte, adulteração de sinal identificador de veículo, incitação ao crime e associação criminosa. Um deles também responderá por porte ilegal de arma de fogo, após ser flagrado com uma pistola da Polícia Militar. A TV Globo não conseguiu contato com as defesas dos seis presos até a última atualização desta reportagem.



