Com casa cheia e clima de nostalgia, torcida rubro-negra provoca o Palmeiras e homenageia heróis em noite que coroou a temporada perfeita de 2025

O Flamengo fechou o último jogo no Maracanã em 2025 com festa, recorde de público e clima de consagração. Na vitória por 1 a 0 sobre o Ceará, que confirmou o título brasileiro, 73.244 torcedores celebraram um ano histórico, marcado pela repetição dos feitos de 2019 e pela conquista inédita do Mundial sobre o Chelsea.
A temporada de 2025 ainda não acabou, mas já está marcada na história do Flamengo. O clube repetiu todos os títulos do ano mágico de 2019, Carioca, Brasileiro e Libertadores, levou também a Supercopa do Brasil e ainda brilhou no Mundial de Clubes ao vencer o Chelsea. Na noite desta quarta-feira, o Maracanã lotado se despediu do time em clima de êxtase, nostalgia e provocações ao vice-campeão Palmeiras.
A celebração começou antes mesmo da bola rolar. No aquecimento, os jogadores foram recebidos aos gritos de “tetracampeão”, referência à conquista da Libertadores. Na arquibancada Norte, balões dourados formavam os números 4 e 9, aludindo ao eneacampeonato brasileiro. Ali também surgiu o mosaico que levou o estádio ao delírio: um urubu sentado em um trono, com coroa de rei, cercado pelos quatro troféus da Libertadores e a frase “Rei de Copas”.
Na Leste, um mosaico virtual projetado sobre lona branca utilizou inteligência artificial para compor a festa, destacando-se no ambiente escuro iluminado apenas pelas lanternas dos celulares. Antes do início da partida, o Flamengo homenageou Jardel Medina Gutierrez, torcedor de 81 anos que morreu de infarto durante a final da Libertadores. Sua foto foi exibida no telão durante o minuto de silêncio.
No anúncio das escalações, ídolos como Arrascaeta, Bruno Henrique e o técnico Filipe Luís foram exaltados. Com a bola rolando, o repertório rubro-negro ecoou no estádio, mas também houve tensão: enquanto o Ceará resistia, notícias dos gols do Palmeiras sobre o Atlético-MG chegavam da Arena MRV.
Provocações ao Palmeiras tomam conta do Maracanã
O cenário mudou aos 36 minutos, quando Samuel Lino abriu o placar e aliviou o nervosismo. O Maracanã explodiu em provocações ao Palmeiras. Cartolinas verdes em formato de caixão com frases como “Vice da Liberta” e “Vice no Brasileiro” surgiram nas arquibancadas.
O sistema de som entrou na brincadeira ao tocar duas vezes o instrumental de Smooth Operator, da banda inglesa Sade, permitindo que a torcida repetisse o jingle adaptado para “Chupa Palmeiras”, famoso meme da internet.
O Flamengo pressionava, mas não ampliou. Mesmo assim, o Ceará não ameaçou o empate, e a torcida rubro-negra continuou empurrando o time com cantos tradicionais como Dezembro de 81 e Outra Vez Eu Vou Te Apoiar.
Nostalgia e festa após o apito final
Quando o jogo terminou, os jogadores foram até a Norte para agradecer, e Samuel Lino levou a festa para o campo ao levantar um dos bandeirões. A torcida cantou o nome de todos os atletas, inclusive de jogadores criticados, como Allan e Emerson Royal. Após Arrascaeta e Bruno Henrique erguerem o troféu, poucos deixaram o estádio — muitos pareciam não querer que 2025 terminasse.
A noite lembrou o título de 2009, última vez em que o Flamengo havia sido campeão brasileiro no Maracanã. Em 2019, a conquista ocorreu durante a festa do bi da Libertadores no Centro do Rio; em 2020, foi confirmada no Morumbis. Para jogadores rubro-negros de infância, como Pedro e Danilo, a celebração teve ainda mais significado.
Foi a consagração de uma temporada que resgatou memórias, fez história e reforçou o peso do Flamengo no futebol brasileiro e mundial.


