Bacellar vinha sendo cotado para ser o candidato da situação nas eleições para governador do Rio de Janeiro em 2026

O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal. A ação faz parte de uma operação que investiga o vazamento de informações sigilosas relacionadas à prisão do deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, durante a Operação Zargun.
De acordo com a PF, o vazamento, cuja dinâmica ainda não foi confirmada, teria provocado obstrução das investigações. O envolvimento de Bacellar foi identificado após análise de materiais apreendidos na fase inicial da operação, realizada em setembro.
A reclusão de Rodrigo Bacellar pode influenciar diretamente no cenário político fluminense para as eleições de 2026. Bacellar vinha sendo o principal cotado como candidato da situação para governador, enfrentando Eduardo Paes (PSD). Caso continue preso, como Cláudio Castro (PL) já possui dois mandatos, será necessário encontrar outro nome para o pleito.
Ao todo, a operação desta manhã cumpre um mandado de prisão preventiva, oito mandados de busca e apreensão e um mandado de intimação com medidas cautelares diversas da prisão, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos dos agentes estão o gabinete de Bacellar na Alerj e diversos endereços ligados ao parlamentar.
A PF já havia anunciado, no dia da Operação Zargun, que abriria um inquérito para apurar um possível vazamento. A suspeita surgiu depois que TH Jóias deixou sua residência horas antes da ação que resultaria em sua prisão, sendo encontrado posteriormente em outro local.
Contexto da Operação Zargun
Deflagrada em setembro, a operação levou à prisão de TH Jóias em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. As investigações apontam que o deputado utilizava o mandato para favorecer o crime organizado, atuando como intermediador na compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão. Ele também é acusado de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado como traficante e também preso, para um cargo na Alerj.
Na ocasião, foram autorizados 18 mandados de prisão preventiva, dos quais 15 foram cumpridos, além de 22 mandados de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Freguesia e Copacabana. Na Alerj, foram recolhidos malotes contendo materiais apreendidos.
A operação ocorre em meio às determinações do STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que atribuiu à Polícia Federal a condução de investigações sobre a atuação de grupos criminosos violentos no Rio e suas conexões com agentes públicos.

