Panorama

Operação na Cidade Alta causa bloqueios, tiroteios e impactos no transporte na Avenida Brasil

Ação da Polícia Militar atinge comunidades da Zona Norte e municípios da Baixada; fumaça, barricadas e fechamento de vias marcaram a manhã desta quinta

Policiais militares apagam fogo de barricadas na Cidade Alta, na Zona Norte
Foto: Reprodução

Uma operação policial realizada na manhã desta quinta-feira provocou bloqueios intermitentes na Avenida Brasil, na altura da Cidade Alta, Zona Norte do Rio. Tiros foram ouvidos ainda no início da manhã, enquanto equipes da Polícia Militar atuavam na região. Vídeos publicados em redes sociais e imagens do COR mostraram barricadas em chamas dentro da comunidade e trechos da via expressa praticamente vazios, com a fumaça densa sendo vista até de bairros como Vista Alegre.

A ação integra a Operação Barricada Zero, que nesta quinta avançou sobre diversas comunidades da Zona Norte e de outros seis municípios. No Rio, as equipes atuam na Cidade Alta, Pica-Pau, Kelsons, Quitungo, Tinta, Dourados, Dique, Furquim Mendes, Guaporé, Campinho e Fubá, segundo o Governo do Estado. Em alguns desses pontos, criminosos tentaram impedir a entrada dos policiais utilizando pneus e objetos incendiados.

No Campinho, houve disparos contra agentes para bloquear o avanço das equipes. No Complexo do Fubá, pelo menos cinco criminosos armados foram vistos subindo a mata durante um tiroteio por volta das 6h40. As imagens foram captadas pelo helicóptero do RJTV, da TV Globo.

Por causa do confronto na Cidade Alta, a PM chegou a fechar a Avenida Brasil por cerca de uma hora, entre 4h20 e 5h30. A via foi liberada nos dois sentidos no início da manhã, mas uma faixa das pistas central e lateral permaneceu interditada. O CET-Rio e policiais militares seguiram no local para monitoramento. O Batalhão de Policiamento em Vias Expressas reforça a segurança na região da Cidade Alta e Pica-Pau.

A operação é conduzida por policiais do 16º BPM, em ação integrada com o Comando de Operações Especiais (COE) e em articulação com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Desde o início da Barricada Zero, o governo afirma ter removido 1.168 toneladas de barricadas, sendo 358 apenas no último dia de trabalho. Além da capital, as ações ocorrem simultaneamente em São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Mesquita e Queimados.

As comunidades atingidas nesta quinta integram áreas do Complexo de Israel, dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), sob liderança do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. A facção controla o comércio e a circulação na região, mantém rivalidades e é alvo constante de operações policiais.

Locais com operação de retirada de barricadas nesta quinta (27/11)

Rio de Janeiro:
Cidade Alta; Pica-Pau; Kelsons; Quitungo; Tinta; Dourados; Dique; Furquim Mendes; Guaporé; Campinho; Fubá

Duque de Caxias:
Lixão (pavimentação); Mangueirinha; Vila Ideal

Nova Iguaçu:
Ben 10; Inferninho

Mesquita:
Sebinho

Queimados:
São Simão (pavimentação); Caixa D’Água (pavimentação)

Japeri:
Lagoa do Sapo; São Jorge

São Gonçalo:
Jardim Catarina

Transporte afetado

No ramal Saracuruna da SuperVia, a circulação ocorre apenas entre Central do Brasil x Penha e Duque de Caxias x Saracuruna, por causa de um tiroteio perto da estação Cordovil. O ramal opera com intervalo de aproximadamente 20 minutos.

No BRT, as linhas 60, 61 e 71 chegaram a ser temporariamente interrompidas devido à interdição da PM próximo às estações Mercado São Sebastião e Vigário Geral. A operação foi retomada por volta das 5h50, segundo a Mobi-Rio.

Confrontos recorrentes na Cidade Alta

Em janeiro, uma operação com cerca de 400 policiais e dez blindados atingiu comunidades da Zona Norte e de Duque de Caxias, incluindo Cidade Alta, Parada de Lucas, Vigário Geral e Guaporé. A ação — parte da ofensiva contra o Complexo de Israel, levou ao fechamento preventivo da Avenida Brasil e da Linha Vermelha. O tenente Marcos José Oliveira de Amorim, do 41º BPM, foi baleado em Furquim Mendes e morreu após ser socorrido. A polícia apreendeu fuzis, granadas, rádios e drogas, além de prender nove suspeitos.

Em junho, um novo confronto ao amanhecer voltou a paralisar vias expressas. Um intenso tiroteio no Complexo de Israel fechou novamente a Avenida Brasil e a Linha Vermelha, gerando pânico entre motoristas e passageiros. Tiros atingiram a cobertura de um ponto de mototáxi e a janela de um carro que tentava se abrigar em um posto de gasolina. Moradores registraram correria na Penha Circular; embora não tenha havido feridos graves, relatos destacaram como esses episódios se tornaram frequentes para quem vive ou circula pela região.

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