
Na última terça-feira (25), o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o processo que determinou o cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que governou o Brasil entre 2019 e 2023. Com a decisão, Bolsonaro tornou-se o nono chefe do Executivo brasileiro a ser detido na história.
Segundo o ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro deverá cumprir pena na Superintendência da Polícia Federal, onde já estava preso preventivamente desde sábado (22), após violar a tornozeleira eletrônica que utilizava.
Bolsonaro foi preso no âmbito da Ação Penal 2668 e responde pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena estabelecida é de 27 anos e 3 meses, em regime fechado.
Além de Bolsonaro, outros ex-presidentes brasileiros já foram presos em diferentes momentos da história:
FERNANDO COLLOR
Presidente entre 1990 e 1992, foi preso em abril de 2025, em Maceió (AL), quando se deslocava para Brasília para cumprir espontaneamente decisão do ministro Alexandre de Moraes. Collor foi condenado a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em esquema ligado à BR Distribuidora. Após comprovar doenças graves — como Parkinson, apneia do sono e transtorno afetivo bipolar — teve a prisão convertida em domiciliar.
MICHEL TEMER
Presidiu o Brasil entre 2016 e 2018. Foi preso preventivamente em março de 2019, durante a Operação Descontaminação. A investigação apontou pagamento de R$ 1,1 milhão em propina. Temer ficou quatro noites detido na sede da Polícia Federal, sendo solto por decisão do desembargador Antônio Ivan Athié, do TRF-2.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Atual presidente, Lula foi preso em abril de 2018 pela Operação Lava Jato, acusado de receber um triplex da construtora OAS como propina em troca de favorecimento em contratos da Petrobras. Ele permaneceu 580 dias preso em Curitiba e foi solto em novembro de 2019, após decisão do STF sobre prisão após condenação em segunda instância.
JÂNIO QUADROS
Presidente em 1961, foi detido em 1968 pelo regime militar por descumprir proibição de realizar pronunciamentos políticos. Cumpriu 120 dias de confinamento em Corumbá (MS).
JUSCELINO KUBITSCHEK
Presidente entre 1956 e 1961, foi preso em 1968 durante a ditadura militar, por defender a redemocratização e a restauração das liberdades políticas. Ficou detido por alguns dias, foi liberado por motivos de saúde e depois cumpriu prisão domiciliar por mais de um mês.
CAFÉ FILHO
Presidente entre 1954 e 1955, afastou-se do cargo por problemas cardíacos. Com a crise política que envolveu a sucessão de Juscelino Kubitschek, foi colocado em prisão domiciliar e permaneceu sob vigilância até dezembro de 1956, por ser considerado ameaça à posse do presidente eleito.
ARTUR BERNARDES
Presidente entre 1922 e 1926. Foi preso em 1932 após apoiar um levante em Minas Gerais durante a Revolução Constitucionalista. Foi detido na Ilha de Rijo e depois transferido para o Forte do Vigia, aguardando exílio. Teve seus direitos políticos cassados e cumpriu exílio de um ano e meio em Lisboa.
WASHINGTON LUÍS
Presidente entre 1926 e 1930, foi deposto pela Revolução de 1930. Ficou preso no Forte de Copacabana entre 24 de outubro e 20 de novembro daquele ano, sendo obrigado ao exílio em seguida. Viveu 17 anos fora do país, passando por Paris, Suíça e Portugal.
HERMES DA FONSECA
Presidente entre 1910 e 1914. Em 1922, enquanto presidia o Clube Militar, enviou um telegrama apoiando manifestações populares, o que gerou tensão com o governo. Foi preso em 2 de julho de 1922 por insubordinação. Após sofrer um ataque cardíaco no momento da detenção, passou a noite no quartel do 3º Regimento da Infantaria, sendo liberado no dia seguinte.
Ao longo de sua história, o Brasil registrou diversas prisões de ex-presidentes, motivadas por contextos variados — desde crises políticas e golpes de Estado até investigações por corrupção, como ocorre atualmente em diversas operações que apuram lavagem de dinheiro, pagamento de propina e participação em organizações criminosas.



