Secretário afirma que empresa deve R$ 26 bilhões e é alvo da megaoperação “Poço de Lobato”, que investiga esquema de fraude fiscal no setor de combustíveis

A dívida do Grupo Refit com o estado do Rio de Janeiro equivale a todo o orçamento das polícias Civil e Militar. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (27) pelo secretário especial da Receita Federal, durante coletiva de imprensa sobre a megaoperação “Poço de Lobato”, que mira um esquema de fraude fiscal envolvendo o dono da antiga refinaria de Manguinhos.
Coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de São Paulo (Cira-SP) e com participação da Receita Federal e de outros órgãos, a operação cumpre mais de 190 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. O Grupo Refit, localizado na Avenida Brasil, em Manguinhos, é o principal alvo.
Débitos bilionários
Segundo o secretário especial da Receita Federal, a empresa deve cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos e é o segundo maior devedor de ICMS do Rio, com aproximadamente R$ 10 bilhões em débitos. Em coletiva no Ministério Público de São Paulo, Robinson Barreirinhas destacou:
“Isso é equivalente ao orçamento do estado do Rio de Janeiro com as suas polícias. O que esse grupo econômico deixou de recolher ao estado do Rio de Janeiro é o orçamento todo do estado com as polícias dele.”
Ele acrescentou que o caso demonstra a necessidade de atuar também no combate às estruturas financeiras que alimentam o crime organizado:
“Isso mostra como o combate ao crime não pode ser só lá na ponta, só no varejo, precisa ser nessas estruturas financeiras que corroem a segurança pública do Brasil, que corroem as estruturas do Estado que combatem as organizações criminosas aqui no Brasil”.
Cooperação ampliada
Ainda segundo Barreirinhas, a Receita Federal tem intensificado a cooperação interinstitucional, como na Operação Poço de Lobato. A instituição também firmou um acordo para deslocar auditores fiscais para a força-tarefa da Polícia Federal no Rio de Janeiro, voltada ao enfrentamento de organizações criminosas e atividades ilegais, incluindo desdobramentos desta quinta-feira.
Movimentação financeira e bloqueios
As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano por meio de empresas próprias, mais de 50 fundos de investimento e 15 offshores nos Estados Unidos, usadas para ocultar e blindar lucros.
A operação mobiliza mais de 620 agentes públicos, entre promotores, auditores e policiais civis e militares. Ao todo, cerca de 50 pessoas físicas e jurídicas tiveram R$ 8,5 bilhões em bens bloqueados.



