Panorama

Botafogo associa­tivo aciona Justiça e pede que Eagle Football ressarça R$ 155 milhões e seja impedida de vender ativos da SAF

Clube solicita intervenção judicial na administração da SAF, bloqueio de distribuição de lucros e caução por indícios de “gestão temerária e irresponsável”

John Textor entre João Paulo Magalhães e Durcesio Mello — Foto: Vítor Silva/Botafogo
Foto: Vítor Silva/Botafogo

A crise entre o Botafogo associativo e a Eagle Football, empresa de John Textor que controla 90% da SAF alvinegra, ganhou um novo capítulo. O clube ingressou com um agravo na 23ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pedindo que a Eagle ressarça R$ 155,4 milhões, valor equivalente a 10% do passivo declarado pela própria SAF.

O processo, que corre em segredo de Justiça, foi protocolado nesta segunda-feira. No pedido, o Botafogo também requer a nomeação de um interventor judicial para conduzir a administração da SAF e a proibição da venda de ativos, incluindo jogadores, durante o andamento da ação. O clube solicita ainda que a Eagle seja impedida de receber distribuição de lucros até apresentar um plano de regularização das dívidas e esclarecer os indícios de “gestão temerária e irresponsável”.

Em trecho da petição ao qual o ge teve acesso, o Botafogo afirma que tanto o clube associativo quanto John Textor devem prestar caução, real ou fidejussória, para garantir eventual reparação de danos. O valor mínimo pedido é de R$ 155.453.600,00, correspondente a 10% do passivo atual da SAF.

Segundo o documento, a medida cautelar deveria impedir a distribuição de dividendos à Eagle “sobretudo diante de tantos indícios (…) de gestão temerária e irresponsável pela atual administração que, ao fim e ao cabo, tem sido conduzida pelos dois (Eagle e John Textor)”.

Fontes ouvidas pelo ge afirmam que, do lado do clube associativo, o movimento busca garantir que a disputa seja resolvida em favor do Botafogo. De acordo com essas pessoas, há respeito por John Textor, mas entendimento de que o imbróglio precisa ser solucionado.

Clube nega responsabilidade e cita possibilidade de retomar o controle

No agravo, o Botafogo argumenta que, embora Eagle e Textor troquem acusações sobre prejuízos, que envolveriam desvio de recursos, obrigações não cumpridas e má gestão, nenhuma das partes atribui responsabilidade ao clube associativo, dono dos 10% restantes da SAF. A informação foi publicada inicialmente por Lauro Jardim e confirmada pelo ge.

Durante o processo, o Botafogo associativo advertiu que poderá exercer “os direitos inequívocos de retomada do controle da SAF” previstos no Acordo de Acionistas, dependendo do andamento da ação e de um processo arbitral que se aproxima.

O clube sustenta ainda que o litígio entre Textor e a Eagle coloca os dois em situação de risco de insolvência ou iliquidez e que, por isso, a intervenção judicial seria necessária para proteger a operação do futebol alvinegro.

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