Panorama

Aposentados da Prefeitura de Itaguaí correm risco de ficarem sem pagamento após investimentos no Banco Master

Foto: Divulgação

Servidores aposentados e pensionistas da Prefeitura de Itaguaí vivem um momento de alerta. O Instituto de Previdência de Itaguaí (ITAPREVI) está entre as entidades que investiram recursos no Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central na última segunda-feira (18). A medida pode provocar perdas financeiras expressivas e comprometer o pagamento futuro dos benefícios previdenciários no município.

Segundo relatório oficial, o ITAPREVI aplicou R$ 59,6 milhões em letras financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024 , um tipo de título que não possui cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação do banco, esses valores estão em risco direto.

A situação acende um alerta sobre a capacidade do Instituto de honrar a folha de aposentadorias nos próximos meses, já que parte relevante da carteira de investimentos pode se tornar irrecuperável.

Investimentos sem garantia e fiscalização sob investigação

As aplicações em letras financeiras do Banco Master foram feitas por diversos RPPS no país, mas, no caso de Itaguaí, a decisão expôs o caixa previdenciário a um cenário grave de incertezas. Ao contrário de fundos privados de previdência, os RPPS são fiscalizados pelo Ministério da Previdência e pelos tribunais de contas.

A Polícia Federal já informou que vai investigar os aportes feitos por entidades públicas, incluindo o ITAPREVI.

Crise do Banco Master: maior ressarcimento da história

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após constatar uma grave crise de liquidez, com déficit estimado em R$ 12 bilhões. O controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no Aeroporto de Guarulhos, suspeito de fraude em operações com o BRB.

O caso já é considerado uma das maiores crises bancárias da história do país.

Apesar da possibilidade de o FGC desembolsar até R$ 48 bilhões para ressarcir clientes, o mecanismo não cobre letras financeiras, justamente o tipo de investimento adquirido pelo ITAPREVI. Ou seja: não há garantia de recuperação do dinheiro aplicado pelo instituto.

Impacto direto: ameaça ao pagamento de aposentadorias

O relatório atualizado do ITAPREVI, de 29 de novembro de 2024, mostra que o instituto possui uma carteira total de pouco mais de R$ 288 milhões em investimentos. A quantia aplicada no Banco Master representa uma fração significativa desse patrimônio.

Especialistas apontam que a perda desses recursos pode desestabilizar a saúde financeira do Instituto e gerar atrasos ou até suspensão temporária de pagamentos, caso a Prefeitura não faça reposição urgente de caixa.

Transparência e cobrança por respostas

Apesar de divulgar sua lista de instituições financeiras credenciadas e dados gerais da carteira, o ITAPREVI ainda não se pronunciou oficialmente sobre o impacto da liquidação do Banco Master nas contas do Instituto.

A população, especialmente aposentados e pensionistas aguarda um posicionamento claro da direção do ITAPREVI e da Prefeitura de Itaguaí sobre medidas emergenciais para garantir a continuidade do pagamento dos benefícios.

Clima de apreensão

Com os valores bloqueados e sob investigação, o clima é de apreensão em Itaguaí. Beneficiários temem que o rombo provocado pelo investimento comprometa diretamente o pagamento das aposentadorias, caso o município não adote medidas urgentes de reequilíbrio financeiro.

A Câmara Municipal e órgãos de controle devem ser acionados para apurar responsabilidades e assegurar transparência no uso dos recursos previdenciários.

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