Vítimas foram sequestradas por traficantes na comunidade do Sapo; uma mulher conseguiu escapar e acionou a polícia

Policiais civis resgataram, na tarde desta quinta-feira, um homem que era torturado em um tribunal do tráfico na comunidade do Sapo, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Ele e um amigo haviam sido sequestrados e julgados por criminosos sob acusação de roubo; um dos homens foi encontrado morto no local.
A vítima sobrevivente relatou à polícia que estava com um amigo na casa de uma mulher quando traficantes da região invadiram o imóvel. Os criminosos afirmaram que a moto dele estaria sendo usada para roubos dentro da comunidade, acusação negada pelo trio.
Apesar disso, eles foram levados ao chamado “tribunal do tráfico”, onde ocorrem julgamentos realizados por facções criminosas para punir moradores acusados de delitos.
Segundo o resgatado, os traficantes tentaram forçá-los a confessar crimes que não cometeram:
“Disseram que eu e o outro rapaz estávamos furtando com a minha moto. Eles começaram a gravar e obrigar a gente a dizer que estava roubando, mas negamos até o fim. Falamos que éramos trabalhadores.”
Ainda de acordo com o depoimento, o amigo foi executado após dar uma resposta que desagradou aos criminosos.
A mulher que estava com as vítimas também foi levada ao tribunal do tráfico e torturada. Muito ferida, ela foi liberada pelos criminosos e deu entrada em uma unidade de saúde de Nova Iguaçu. A equipe médica acionou imediatamente a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF), que organizou uma operação emergencial.
Ao chegar à área de mata onde o julgamento acontecia, local estratégico usado por facções devido à disputa territorial, os agentes encontraram um dos homens já sem vida. O outro, gravemente ferido, foi socorrido de viatura até um hospital em Belford Roxo.
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) foi acionada para investigar a execução. Já a DRE-BF continua com diligências na região, onde há confronto entre facções rivais e presença constante de tribunais clandestinos.
A polícia afirmou que novas ações devem ser realizadas para coibir a atuação dos criminosos e combater o domínio territorial na comunidade do Sapo.



