Projeto que une União Brasil e PP sofre resistências regionais, perdas de lideranças e disputas por comando antes mesmo da formalização

Ainda em processo de consolidação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a federação entre União Brasil e PP, batizada de União Progressista, enfrenta rachas internos, desfiliações e conflitos regionais que colocam em xeque sua viabilidade antes mesmo da homologação. A aliança, idealizada pelos presidentes Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União), nasceu com a promessa de fortalecer a direita liberal-conservadora no país, mas hoje é marcada por disputas políticas e desconfiança entre dirigentes.
De acordo com lideranças das duas siglas, o objetivo da federação é unir forças nas eleições municipais, estaduais e nacionais por pelo menos quatro anos, compartilhando fundo partidário, tempo de TV e estrutura política. Em contrapartida, os partidos precisam manter posição unificada em todas as disputas eleitorais, fator que tem provocado tensões em diretórios estaduais.
Entre os principais críticos, o governador Ronaldo Caiado (União-GO) afirmou que o projeto “amplificou rivalidades locais e acelerou saídas”, sugerindo que o melhor caminho seria “recuar antes da homologação”.
“Essa tentativa de federação está levando à perda de deputados e a conflitos internos na maioria dos estados. O mais prudente seria rever o processo e manter apenas uma aliança”, declarou Caiado.
Disputas estaduais e saídas estratégicas
Um dos embates mais intensos ocorre no Paraná, onde Pedro Lupion deixou o PP rumo ao Republicanos, e Felipe Francischini deve migrar do União para o Podemos. As saídas enfraquecem a base ruralista e estão relacionadas à pré-candidatura de Sergio Moro ao governo estadual, que hoje lidera pesquisas e recebeu o controle do diretório local.
No Rio de Janeiro, o União enfrenta divisões internas sob o comando de Rodrigo Bacellar, enquanto o PP, liderado por Doutor Luizinho, mantém coesão, mas ainda não definiu se apoiará Eduardo Paes (PSD) ou uma candidatura de oposição.
Em São Paulo, a disputa pelo comando estadual opõe Milton Leite (União) e Maurício Neves (PP), enquanto na Paraíba, o deputado Mersinho Lucena (PP) cogita sair do partido, e o senador Efraim Filho (União) ensaia candidatura ao governo. Já no Acre, o senador Alan Rick (União) vive impasse com o grupo do governador Gladson Camelli (PP) e pode migrar ao Republicanos.
Cúpula tenta conter danos
Apesar das divergências, líderes nacionais insistem que a federação sairá do papel. O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, e a senadora Tereza Cristina (MS) reforçam que a aliança é “irreversível” e está “em fase final de formalização no TSE”.
“A discussão sobre a federação é fato superado. Agora é fortalecer o projeto para 2026”, afirmou ACM Neto.
“Ela ainda não foi homologada, mas veio para ficar. São acomodações naturais até a definição”, completou Tereza Cristina.
O pedido de registro da União Progressista ainda não tem relator definido no TSE. Para valer nas eleições de 2026, o aval precisa ser concedido até 4 de abril do próximo ano. Até lá, as legendas terão de unificar estatutos, definir a divisão do fundo partidário e acordar o comando em cada estado, tarefas que prometem mais turbulências políticas nos próximos meses.



