Panorama

Declarações contrárias à técnicos estrangeiros em fórum de treinadores na CBF repercutem negativamente

Afirmações geraram mal-estar entre os presentes, a CBF e a FBTF

Gustavo Feijó, diretor da CBF — Foto: Ronald Lincoln
Foto: Ronald Lincoln

Como repercussão das polêmicas declarações dos treinador Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores do Futebol nesta terça-feira (04), o diretor de futebol masculino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Gustavo Feijó, afirmou que as falas foram “preconceituosas”. Outro que se manifestou foi um dos organizadores do evento, o diretor da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol (FBTF), Alfredo Sampaio, que repudiou as declarações.

No encerramento do evento desta terça-feira (04), Alfredo Sampaio lamentou o ocorrido diante do técnico da Seleção Brasileira, o italiano Carlo Ancelotti, que não se pronunciou, mas foi possível identificar um constrangimento no momento. De acordo com informações de bastidores, o incidente causou grande desconforto e repercurtiu nos corredores da sede da CBF, onde foi realizado o evento.

Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano estiveram presentes no evento. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Gustavo Feijó, diretor de futebol masculino da CBF, se pronunciou por meio de suas redes sociais, onde emitiu uma nota se posicionando de maneira contrária as opiniões de Leão e de Oswaldo. Confira:

As declarações feitas durante o Fórum Brasileiro de Treinadores, dirigidas ao técnico Carlo Ancelotti e aos profissionais estrangeiros que atuam no Brasil, foram, no mínimo, deselegantes, para não dizer de outra forma, e não refletem o verdadeiro sentimento do povo brasileiro.

Assim como queremos que nossos treinadores sejam tratados com respeito fora do país, também devemos acolher com consideração os profissionais que escolhem trabalhar aqui. Opiniões divergentes fazem parte do debate, mas falas preconceituosas e desnecessárias não contribuem para o processo de reconstrução e valorização do nosso futebol.

Vivemos um novo momento, com gerações se renovando, métodos se modernizando e profissionais brasileiros cada vez mais preparados. A criação da Federação Brasileira de Treinadores pode ser um passo importante nesse processo, desde que haja união, diálogo e respeito entre todos. O futebol brasileiro precisa seguir sendo símbolo de aprendizado, inclusão e excelência.

Na noite desta terça-feira (04), o diretor da Federação Brasileira de Treinadores, Alfredo Sampaio, que na prática era um dos organizadores principais do evento, falou sobre a ocasião. Além disso, a FBTF também emitiu nota oficial:

“Eu quero colocar aqui publicamente o meu repúdio ao Oswaldo de Oliveira. Ele se comportou aqui de forma inadequada. Estou falando isso porque ele gerou um grande problema institucional pra gente. Fica aqui o meu repúdio pela postura que ele teve aqui. Inadequada para um evento tão importante. Aqui, eram os treinadores brasileiros que estavam tentando se aproximar da instituição esportiva mais importante do país e está dando uma abertura ao futebol brasileiro. Está mudando o futebol brasileiro. Portanto, nós queríamos estar nessa mudança. E hoje, confesso a vocês que eu não sei se a gente vai conseguir fazer tudo que nós planejamos por força de uma pessoa que não teve o equilíbrio para entender onde estava e não percebeu o que não poderia ser dito”, disse Alfredo.

“A Federação lamenta profundamente o ocorrido, que manchou o espírito de união e diálogo que marcou o evento, idealizado justamente para fortalecer a classe dos treinadores e promover o respeito entre todos os agentes do futebol. A FBTF apresenta suas sinceras desculpas ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol, sr. Samir Xaud, à diretoria da CBF, em especial, ao técnico Carlo Ancelotti, reafirmando a admiração, o respeito e o reconhecimento dos treinadores brasileiros pelo trabalho sério e pela contribuição de todos os que engrandecem o futebol”, afirmou a Federação Brasileira de Treinadores de Futebol.

Confira as falas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira no fórum desta terça-feira (04):

“Eu sempre disse que eu não gosto de treinadores estrangeiros no meu país, e isso serve para o Mancini, que é o presidente (da Federação Brasileira de Treinadores). Estou falando aqui na frente da nossa casa. Antes eu falava que eu não suportava, não suportaria treinadores (estrangeiros). Você sabe que eu já falei isso, né, Zé (Mário, ex-jogador e ex-treinador presente ao evento)? Você sabe que eu já falei isso e não mudo. Não mudo a minha opinião. Mas tenho que ser inteligente o suficiente pra dizer que isso tudo tem um culpado. Nós. Nós, treinadores, somos culpados da invasão de outros treinadores que não têm nada a ver com isso. Eu não queria treinador estrangeiro, mas não tinha jeito, se tivesse que ser, que fosse esse senhor. Torci para ser esse senhor. Depois que ele for embora, campeão do mundo, que venha um brasileiro”, disse Oswaldo de Oliveira.

“Não estamos falando de nome, não estamos falando de nacionalidade. Estamos falando de erro nosso. Eu já parei. Eu não sou mais treinador, não sou mais atleta. Mas continuo dando a minha colaboração quando solicitado. Portanto, mudei de ideia nesse exato momento. Quero falar a você, Vagner. Já fui presidente de sindicato, de tudo. Vagner pode contar comigo com toda a colaboração que você precisar de um treinador antigo para passar algumas coisas para o jovem. Tem o Zé Mário também, que é meu companheiro. Eu vejo vários companheiros aqui. E muitos novos que eu não conheço. Inclusive, ex-jogadores que trabalharam comigo que eu não reconheço. Me desculpe. Mas vale a pena. Vagner, você tem tudo para se tornar uma pessoa muito, muito importante para nós brasileiros. Então, boa sorte no seu futuro. Boa sorte para você (Ancelotti) também”, afirmou Emerson Leão.

Por Gabriel Caetano

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